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Clínicas e spas atendem ricos em busca de vida mais longa

Luxo, biohacking e medicina regenerativa atraem clientes ricos em busca de vida longa, mas ciência aponta limites e a importância de hábitos saudáveis

Um dos ambientes do hotel Huus Quell, na Suíça: exames e tratamentos personalizados
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  • A Longevitar, clínica de luxo em São Paulo, trabalha com biohacking para ampliar a longevidade, oferecendo planos de três meses a um ano; o plano anual custa R$ 60 mil e a consulta sai por R$ 2.200.
  • Entre as técnicas, está a plasmaférese, usada para remover substâncias nocivas da corrente sanguínea, com foco em retardar o envelhecimento e recuperar função de órgãos.
  • A maior parte dos clientes são empresários na faixa dos 40 anos, que buscam investir na saúde após anos de trabalho, estresse e sono comprometido.
  • O interesse em longevidade impulsiona o turismo do setor, com exemplos como o Soho House expandindo serviços de bem‑estar e o Huus Quell, na Suíça, oferecendo programas de biohacking; há planos para abrir centro na Flórida.
  • Especialistas ressaltam que a tecnologia não substitui hábitos saudáveis e que fatores genéticos, estilo de vida e ambiente influenciam a longevidade; evidências científicas sobre efeitos isolados dessas práticas ainda são discutidas.

A Longevitar, clínica de alto padrão em São Paulo, oferece soluções voltadas à longevidade por meio de técnicas de biohacking, com foco em regeneração celular e otimização hormonal. O espaço, na Vila Nova Conceição, abriu em agosto do ano passado em um prédio de 700 m². O objetivo é ajudar clientes a viver com mais saúde e por mais tempo.

Gabriel Azevedo, médico nutrólogo e fundador, afirma que 120 anos será o próximo marco da longevidade. O time realiza exames personalizados, desde microbiota até respostas a dietas, com acompanhamento de um health manager. Planos vão de três meses a um ano; mensalidades e consultas constam na proposta comercial.

Entre os serviços está a plasmaférese, técnica que retira substâncias nocivas do sangue. A clínica busca reduzir componentes deletérios que, segundo o grupo, contribuem para envelhecimento e adoecimento. A maioria dos clientes é do sexo masculino, na faixa dos 40 anos, especialmente empresários.

A busca por vida longa tem presença marcante entre ultrarricos e investidores. Em outubro, Larry Ellison anunciou investimento bilionário em saúde regenerativa no Reino Unido. Desde 2021, Bryan Johnson mantém rotina de autoinvestigação biológica para rejuvenescer órgãos. Esse movimento influencia o mercado de turismo de longevidade.

O Itaú Private, por meio de Paola Sarkis, destaca a demanda por serviços personalizados para clientes de alto patrimônio, afirmando que inovações em saúde e wellness são cada vez mais rápidas e individualizadas. A agenda inclui viagens e experiências voltadas ao bem-estar, impulsionando o setor.

Essa tendência também se reflete no turismo de longevidade, com o Global Wellness Institute estimando um mercado global de quase US$ 894 bilhões anuais. Clínicas em Miami e na Costa Rica aparecem como rotas de clientes que buscam tratamentos antes de chegar a São Paulo. Há planos de abrir novo centro da Longevitar na Flórida, com investimento superior a US$ 5 milhões.

Subtítulo: Lugares e modelos ao redor do mundo

O grupo Soho House lançou um estúdio de longevidade no Farmhouse, no Reino Unido, com soroterapia. Planos de expansão para Nova York, Miami, Londres e Los Cabos estão previstos para 2026. Em Goten, Suíça, o hotel Huus Quell oferece pacotes de dois a três dias com exames médicos e terapias como crioterapia, hiperbárica e terapias de luz.

Os tratamentos usados no turismo de longevidade costumam combinar bem-estar e tecnologia. Contudo, especialistas ressaltam que os efeitos isolados de cada técnica são objeto de debate científico, e recomenda-se cautela para pacientes com condições específicas, como tumores ativos. A prática deve ser acompanhada por orientação médica.

Em termos de base científica, a regeneração e a recuperação são processos naturais, estimulados por hábitos saudáveis. Exercício, sono adequado e boa nutrição promovem autofagia e renovação celular, segundo médicos e especialistas entrevistados. A importância dos hábitos diários é destacada para além de qualquer intervenção de alto custo.

Subtítulo: ciência, hábitos e limites

Especialistas lembram que genética influencia longevidade, mas fatores ambientais e de estilo de vida também contam. Estudos recentes apontam traços de proteção cerebral e cardiovascular em pessoas mais velhas, e a valorização de redes de apoio social como componente de qualidade de vida na velhice.

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