- Um estudo publicado em dezembro de 2025 na Journal of Applied Ecology revisou 51 trabalhos sobre o método Miyawaki e encontrou pouca evidência empírica para sustentar seus benefícios.
- Apenas 41% dos artigos ofereceram avaliações quantificáveis; entre eles, 33% tiveram um grupo de controle e apenas 14% repetição experimental.
- As principais alegações — crescimento rápido (até dez vezes mais rápido) e maturação em 20 a 30 anos — são apenas parcialmente apoiadas ou não comprovadas de forma empírica.
- Alegações sobre benefícios climáticos e de biodiversidade foram majoritariamente não comprovadas com dados robustos; poucos estudos estimaram estoques de carbono e não encontraram diferenças estatísticas significativas em longo prazo.
- Os autores destacam riscos sociais e ecológicos de promover métodos de reflorestamento sem evidência adequada, cobrando comparação com controles ou outras metodologias em múltiplos locais antes de difundi-los.
O método Miyawaki de reflorestamento, conhecido por criar “mini florestas” em áreas urbanas, não possui evidências empíricas robustas que comprovem seus benefícios, aponta um estudo recente. A pesquisa revisou a literatura científica para avaliar as alegações associadas à técnica.
Autores da revisão analisaram 51 trabalhos e constataram que apenas 41% apresentaram avaliações quantitativas. Desses, apenas 33% tiveram grupo de controle e apenas 14% incluíram replicação, elementos cruciais da metodologia científica.
Desenvolvido nos anos 1970 pelo botânico japonês Akira Miyawaki, o método ganhou popularidade internacional na última década, especialmente para reflorestamento urbano. Pesquisadores destacam que o apelo está na rápida densidade de plantio e no uso de espécies nativas.
Mudanças de tema: velocidade de crescimento e impactos
A dupla de autores, Narkis S. Morales e Ignacio C. Fernández, afirma que a promessa de crescimento rápido e de maturação em 20 a 30 anos é apenas parcialmente suportada pela evidência disponível, e não há dados consistentes sobre benefícios climáticos.
Entre as alegações sobre carbono e biodiversidade, oito dos 51 trabalhos citados mencionam maior sequestra de carbono, mas apenas duas estimativas de estoque de carbono foram apresentadas, sem diferenças estatísticas relevantes em comparação com outros métodos.
Contexto de aplicação e custos
Morales e Fernández ressaltam que muitos projetos Miyawaki são de pequena escala, o que pode limitar o foco em carbono. Em Chile, observou-se interesse público ao verificar o custo elevado da implantação e da melhoria do solo, em contraste com resultados ainda não comprovados de forma contundente.
Especialista externa ouvida pelos autores destaca que, apesar de o método ser visto como promissor para carbono e biodiversidade, ele pode ser impraticável e oneroso quando aplicado em larga escala. A avaliação comparativa com outras abordagens continua essencial.
Implicações para políticas públicas
Os pesquisadores defendem que, quando recursos públicos são usados, é preciso comparar qualquer método de restauração a um controle sem intervenção e a outras técnicas em múltiplos locais. A falta de dados pode minar a confiança pública e comprometer estratégias de urbanização verde.
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