- Morcegos passaram a polinizar flores noturnas entre trinta e vinte milhões de anos atrás, influenciando a evolução de flores maiores, abertas e robustas.
- Como transportadores eficientes de pólen, eles percorrem longas distâncias e, ao pairar, encostam o corpo nas flores, favorecendo espécies que se adaptam a esse visitante.
- Flores visitadas por morcegos tendem a produzir volumes expressivos de néctar para atender à alta exigência energética desses polinizadores.
- A percepção dos morcegos favoreceu flores com cores claras e odor forte (sulfurados), além de aproveitarem a visão dicromática voltada ao ultravioleta e ao verde; a ecolocalização também moldou estruturas que refletem sons.
- A floresta brasileira, especialmente a Caatinga, abriga inúmeras plantas polinizadas por morcegos, destacando essa interação ecológica entre animal e planta.
Flores de plantas noturnas ganharam traços que as tornam atraentes aos morcegos, em uma das interações ecológicas mais estudadas. O estudo mostrou como morcegos moldam a aparência de flores grandes, abertas e robustas, que produzem grandes quantidades de néctar.
A pesquisa envolve o Laboratório de Biologia Floral e Ecologia Reprodutiva da Universidade Federal de Sergipe, com foco na Caatinga. A equipe investiga como esses mamíferos, ao longo de milhões de anos, influenciam a evolução de flores e a dinâmica de polinização.
A dinâmica começou quando morcegos passaram a atuar como polinizadores eficientes, transportando pólen em seus pelos e voando longas distâncias. Ao se aproximarem das flores, eles pressionam o corpo contra as estruturas reprodutivas, favorecendo plantas que dão frutos e sementes.
A visão e o olfato dos morcegos também direcionaram mudanças nas flores. Muitos morcegos possuem visão sensível a ultravioleta e verde, o que favorece flores claras ou esverdeadas. Além disso, odores fortes, semelhantes a alho ou frutos fermentados, se tornaram atrativos para esses polinizadores.
A ecolocalização, característica exclusiva dos morcegos, favorece flores com formatos côncavos que refletem sons, ampliando a eficiência da polinização durante voos de caça noturnos. Assim, a seleção natural favoreceu espécies com essas características.
Entre as plantas associadas a morcegos, destacam-se espécies da Caatinga, como trapiá, coité, jatobá, pequi e outras que passam despercebidas pela estética humana, mas são fundamentais para o ecossistema. Esses recursos também possuem importância prática para comunidades locais.
O trabalho atual da equipe busca compreender a evolução desse sistema e como um animal frequentemente temido participa de uma das relações ecológicas mais intrigantes já documentadas. A pesquisa segue sob a coordenação institucional da universidade e colabora com instituições associadas.
Fonte: ciência Fundamental, edição do Serrapilheira, que apoia a divulgação científica no Brasil. A coluna apresenta o tema como parte das iniciativas de difusão científica do instituto.
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