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ONU alerta que exploração global de areia pode ameaçar praias até 2060

Demanda mundial por areia pode dobrar até 2060, ameaçando ecossistemas costeiros e áreas protegidas, com impactos econômicos e ambientais

Escavadeira trabalha na areia de praia do Mar Báltico — Foto: Getty Images
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  • Relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente aponta demanda mundial por areia em ritmo insustentável, impulsionada por urbanização, construção civil e infraestrutura.
  • Cerca de 50 bilhões de toneladas de areia são exploradas anualmente; se as tendências continuarem, a demanda pode dobrar até 2060, acima da capacidade natural de reposição.
  • A areia já é o segundo recurso natural mais explorado, mas a regulação internacional é fraca, e a atividade causa degradação ambiental e impactos em habitats e comunidades costeiras.
  • A dragagem oceânica tem se expandido, inclusive dentro de áreas marinhas protegidas, com metade das empresas atuando nessas regiões.
  • O estudo destaca riscos como a “areia morta”, vulnerabilidade do Caribe à erosão costeira, aumento do interesse pela areia preta no Sudeste Asiático e na América Latina, e recomenda inventários nacionais e governança mais rígida.

O ONU alerta que a demanda mundial por areia cresce de forma insustentável, impulsionada pela urbanização, construção civil e obras de infraestrutura. O estudo foi divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

De acordo com a pesquisa, cerca de 50 bilhões de toneladas de areia são exploradas anualmente, volume capaz de erguer cidades inteiras em concreto, vidro e asfalto. Se as tendências continuarem, a demanda pode dobrar até 2060.

A extração ocorre com regulação internacional fraca, o que favorece práticas que degradam habitats, afetam peixes, tartarugas marinhas, aves e crustáceos, além de impactar comunidades costeiras e ribeirinhas. A areia é hoje o segundo recurso natural mais explorado, atrás da água.

Desdobramentos ambientais

O PNUMA aponta expansão de dragagem oceânica, inclusive dentro de Áreas Marinhas Protegidas, com metade das empresas atuando em regiões protegidas. A prática gera erosão costeira e reduz reservas pesqueiras, especialmente em ilhas caribenhas.

A entidade destaca ainda a ideia de areia morta: retirada de ecossistemas naturais que perde funções ecológicas como filtragem de água e proteção costeira. Com atraso na reposição, a pressão sobre praias aumenta.

A competição por areia também avança para o que se chama de areia preta, rica em magnetita e minerais usados na indústria. O sudeste asiático e a América Latina concentram esse interesse econômico crescente.

Medidas e governança

O PNUMA recomenda criar inventários nacionais de areia, melhorar governança e reconhecer o recurso como estratégico para segurança ambiental e climática. A ONU aponta que a fiscalização atual é fragmentada e insuficiente para conter impactos.

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