- Cirurgia de retirada de vesícula foi feita integralmente por robô nos Estados Unidos no ano passado, a primeira operação sem intervenção médica da história, em cenário ex vivo.
- O robô foi treinado com vídeos de cirurgias e, durante o procedimento, respondeu a comandos de voz da equipe, apresentando desempenho estável e competência de um cirurgião experiente.
- O cirurgião Tiago Machuca diz que robôs deverão realizar tarefas repetitivas e reduzir variação, mas a presença do médico não será eliminada; há questões éticas e regulatórias a discutir.
- Em câncer de pulmão, estudo com 186 pacientes mostrou que, na cirurgia robótica, as complicações caíram de 60% para 23% em quem tinha comorbidades e de 33% para 12% em quem não tinha; o tempo de internação também caiu de 6 para 3 dias.
- A automação pode ajudar a enfrentar a falta de profissionais: nos Estados Unidos, há previsão de déficit de 20 mil cirurgiões até 2030, e a formação de um robô pode levar semanas ou meses.
O cirurgião torácico Tiago Machuca, da Rede D’Or, afirmou em palestra no São Paulo Innovation Week que já houve uma cirurgia realizada inteiramente por robô, sem intervenção humana durante o procedimento. O caso ocorreu nos Estados Unidos e foi apresentado como a primeira operação desse tipo na história. Machuca discutiu as implicações éticas dessa prática.
Segundo ele, robôs e inteligência artificial devem assumir tarefas repetitivas, como suturas, para reduzir variações entre procedimentos. Ainda assim, a presença do médico seria mantida para supervisão e decisão clínica, especialmente em situações inesperadas. O médico destacou limites regulatórios e de responsabilidade.
A apresentação também abordou avanços na robótica em cirurgias torácicas, com foco no câncer de pulmão, segundo tumor que mais mata no Brasil. Um estudo envolvendo 186 pacientes mostrou queda nas complicações ao usar a via robótica, de 60% para 23% em comorbidades. O tempo de internação caiu de 6 para 3 dias.
Autonomia vs. presença médica
Machuca destacou que o robô treinado com vídeos respondeu a comandos da equipe durante a cirurgia, aprendendo com mentoria. A prática elevou limites de precisão, com visão 3D e instrumentos que replicam movimentos humanos, até com desempenho estável em emergências simuladas.
Ele também lembrou que, mesmo com automação avançada, o contato humano é essencial. Referiu-se à comparação com a aviação, onde ainda há piloto mesmo com grande automação. A discussão envolve responsabilidade pela tomada de decisão clínica.
Desafios éticos e operacionais
Para o especialista, o futuro da robótica pode mitigar o gargalo de profissionais. Ele cita uma projeção de déficit de 20 mil cirurgiões nos EUA até 2030, contrastando com o prazo de formação de 13 anos para um cirurgião torácico. A capacitação de robôs exige semanas ou meses.
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