- A Unilever denunciou à Anvisa e à Senacon a presença de bactéria Pseudomonas aeruginosa em produtos da concorrente Química Amparo, proprietária das marcas Ypê e Tixan, em denúncias feitas em outubro do ano passado e em março deste ano.
- A Anvisa visitou a fábrica da Amparo em Amparo, a 130 km de São Paulo, e determinou a interrupção da produção e venda de produtos líquidos do complexo industrial neste mês.
- A Unilever disse que testa tanto seus produtos quanto os da concorrente, prática comum no setor, e que autoridades devem investigar conforme os resultados.
- A Química Amparo não comentou o caso; afirmou que realiza melhorias no processo produtivo e apresentou plano de ação à Anvisa após a fiscalização.
- Em denúncia de março, a Unilever apontou 14 lotes contaminados, com a presença de Pseudomonas aeruginosa e traços de outras bactérias, segundo laboratórios contratados, e pediu que a Anvisa se posicione e que haja recall dos lotes afetados.
A Unilever denunciou à Anvisa e à Senacon a presença de uma bactéria em produtos da concorrente Ypê, controlada pela Química Amparo. As queixas, apresentadas em outubro do ano passado e em março deste ano, apontam contaminação microbiológica em detergentes e no lava-roupas Tixan Ypê. Amparo não comentou com a reportagem.
A Anvisa realizou duas visitas à fábrica da Ypê, em Amparo, a 130 km de São Paulo, e, neste mês, determinou a interrupção da produção e venda de todos os líquidos fabricados no complexo. As informações são do material recebido pela Folha.
O que motivou as denúncias envolve a detecção de Pseudomonas aeruginosa em lotes de detergentes Ypê e do lava-roupas Tixan, conforme a documentação da Unilever. A empresa afirma que a constatação indica falhas graves de fabricação e risco à saúde do consumidor.
Quem está envolvido: Unilever, controladora de Omo, Comfort e Cif; Química Amparo, fabricante de Ypê e Tixan; além da Senacon e da Anvisa, órgãos regulatórios. A Unilever aponta que a contaminação pode ter levado à retirada voluntária de produtos pela concorrente.
Quando ocorreu: as denúncias teriam sido protocoladas em outubro do ano passado e em março deste ano. A fiscalização da Anvisa, após as queixas, ocorreu neste mês. Os resultados resultaram na interrupção de produção na fábrica de Amparo.
Onde aconteceu: Amparo, interior de São Paulo, onde fica o complexo industrial da Química Amparo. A Anvisa visitou a fábrica duas vezes para avaliar a situação e orientar medidas de recall.
Por que isso importa: a Unilever sustenta que houve falhas de fabricação e risco sanitário, e solicita que a Anvisa se manifeste com urgência sobre novas irregularidades em lotes adicionais. A Química Amparo contesta a avaliação, alegando ausência de regulamentação específica para saneantes e destacando o potencial de teste técnico independente.
Desdobramentos e respostas: a Unilever afirma que costuma realizar testes, às vezes em produtos da concorrência, como prática comum no setor, e que investigações cabem às autoridades. A Amparo disse que trabalha em melhorias no processo produtivo e que não houve recolhimento generalizado de itens pelo mercado.
Relevância regulatória: a discussão envolve limites microbiológicos em produtos de limpeza. A Amparo afirma não existir norma da Anvisa limitando a presença da bactéria em saneantes; a RDC 907/2024 diz respeito a cosméticos, não à categoria de limpeza. A empresa ressalta que os testes usados pela concorrente não teriam isenção para fundamentar medidas extremas.
Essa pauta segue sob apuração das autoridades. A Anvisa e a Senacon não comentaram novas informações oficiais até o fechamento deste texto. A Química Amparo também não forneceu um posicionamento adicional.
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