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Crise climática: chuvas extremas podem reduzir água disponível, aponta estudo

Chuvas mais intensas e concentradas reduzem água disponível no solo, rios e aquíferos; Amazônia figura entre as regiões mais impactadas

visão geral da ilha de Hong Kong sob ventos fortes e chuva pesada neste início de agosto
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  • Estudo publicado na Nature aponta que tempestades mais fortes e estiagens prolongadas reduzem a capacidade de o solo absorver água em todo o mundo, entre 1980 e 2022.
  • Os pesquisadores usarão o coeficiente de Gini para medir como as chuvas ficaram distribuídas ao longo do ano; quanto mais próximo de um, mais concentradas as precipitações.
  • A Amazônia está entre as regiões mais impactadas: chuvas passaram a ocorrer de forma mais concentrada, com 30% de aumento em eventos extremos desde 1980.
  • A concentração de chuvas reduz a umidade do solo e aumenta a evaporação, influenciando reservatórios, rios e aquíferos.
  • Modelos indicam que, com o aquecimento global, esse cenário tende a se agravar, e a gestão hídrica precisará lidar com ciclos mais extremos entre enchentes e secas.
  • Um aumento médio de dois graus Celsius pode fazer 27% da população mundial enfrentar condições anormalmente secas, mesmo com maior volume total de chuva.

O estudo, divulgado na Nature, mostra que a crise climática pode aumentar a quantidade de chuva e reduzir a água disponível em solos, rios e aquíferos. Pesquisadores da Dartmouth College analisaram registros globais de chuva de 1980 a 2022 e identificaram chuvas mais intensas separadas por períodos secos.

O trabalho revela que, em várias regiões, a precipitação ficou mais concentrada em eventos fortes e menos distribuída ao longo do ano. Isso dificulta a absorção da água pelo solo e eleva a evaporação, reduzindo a disponibilidade hídrica apesar do aumento do volume total de chuva.

Alerta

A bacia amazônica aparece entre as áreas mais impactadas. Segundo o estudo, as chuvas passaram a se concentrar 30% mais em eventos extremos desde 1980, com períodos secos mais prolongados, configurando a maior mudança registrada globalmente.

Corey Lesk, primeiro autor da pesquisa, afirma que a concentração de chuvas já é um fator tão relevante quanto o volume anual para determinar a umidade do solo. Os modelos climáticos indicam piora com o aquecimento global.

O estudo utiliza o coeficiente de Gini para medir a concentração das chuvas ao longo do ano. Quanto próximo de 1, mais intensas são as precipitações em poucos dias, reduzindo a disponibilidade de água para ecossistemas.

Administração

A gestão hídrica enfrenta novos desafios com ciclos mais extremos entre enchentes e secas. Reservatórios e redes de abastecimento precisarão de estratégias de armazenamento mais eficientes para enfrentar a variabilidade climática crescente.

Os autores destacam a incerteza sobre se o aumento do volume total de precipitação acompanhará a maior concentração de chuvas. Em um planeta mais quente, a superfície terrestre tende a ficar mais seca entre eventos intensos.

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