- Estudo publicado na Nature analisou cerca de 232 milhões de pessoas em 200 países e territórios entre 1980 e 2024, mostrando estabilização da obesidade em muitos lugares.
- Em nações de alta renda, há sinais de reversão ou queda em algumas regiões, com estabilização precoce entre crianças e adolescentes; EUA e Nova Zelândia ainda apresentam alta prevalência.
- O Brasil mostrou aumento da obesidade entre homens ao longo do período analisado, com variações regionais e entre os gêneros; o ritmo varia conforme o país e o grupo etário.
- O estudo ressalta que não existe mais uma “epidemia” global uniforme: persistem diferenças amplas entre países, ampliando desigualdades em saúde pública.
- Medicamentos de obesidade baseados em GLP‑1 não alteraram as tendências no período estudado, mas podem influenciar cenários futuros com possível decréscimo de custo após a expiração de patentes.
A pesquisa publicada na revista Nature nesta quarta-feira (13) mostra que as taxas globais de obesidade, embora ainda altas, têm se estabilizado em muitos países e até recuado em alguns de alta renda. O estudo contesta a ideia de uma epidemia global contínua desde os anos 1980.
Conduzido por pesquisadores do Imperial College London, com participação de Alicia Matijasevich e Paulo Andrade Lotufo (USP), o trabalho reuniu dados de cerca de 232 milhões de pessoas em 200 países entre 1980 e 2024.
Os autores destacam que o ritmo do aumento da obesidade diminuiu ou estabilizou em várias nações, especialmente a partir dos anos 2000. Em países de baixa renda, porém, os números seguem em alta, mantendo o desafio global.
Desigualdades entre nações
Um ponto central é a heterogeneidade regional. Em países ricos houve desaceleração, e em alguns casos leve queda. Em contrapartida, áreas da África, Ásia, América Latina e ilhas do Pacífico registram altas contínuas e, em alguns locais, rápidas.
A análise avalia a velocidade de crescimento da obesidade para identificar onde as mudanças são mais rápidas. Em síntese, o estudo aponta que políticas públicas podem influenciar trajetórias locais, conforme as necessidades locais.
Brasil em foco
Ao longo das décadas analisadas, o Brasil apresentou aumento acentuado da obesidade entre homens adultos, com ganho de 0,5 ponto percentual em 2024, entre os países da América Latina. A constatação reforça a heterogeneidade interna da região.
Dados do estudo indicam maior elevação entre homens no Brasil, enquanto, em outras regiões, o quadro varia pela incidência entre mulheres e homens. A diferença regional persiste como fator-chave.
Obesidade infantil e políticas públicas
A desaceleração começou entre crianças e adolescentes em muitos países de alta renda, sugerindo efeitos de políticas públicas voltadas à alimentação escolar e campanhas de saúde. Ainda assim, as diferenças entre países são expressivas.
Especialistas lembram que fatores como urbanização, disponibilidade de ultraprocessados e mudanças no padrão alimentar ajudam a explicar as desigualdades. Intervenções locais parecem decisivas para mudanças futuras.
Medicamentos e perspectivas futuras
Os autores observam que, até o moment, medicamentos como agonistas de GLP-1 ainda não alteraram significativamente as tendências globais. O estudo aponta que, com a queda de patentes, pode haver barateamento e maior acesso a esses tratamentos.
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