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Estudo global mostra relação entre desigualdade social e obesidade

Estudo global mostra que obesidade avança em países de renda média e baixa, desacelerando apenas em nações ricas, evidenciando desigualdade social como motor

Homem se alimenta em Arequipa, no Peru: na América Latina, obesidade está associada ao baixo acesso a opções saudáveis - (crédito: Ernesto Rosas/Pexels/Divulgação )
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  • Estudo da Colaboração de Fatores de Risco de Doenças Crônicas Não Transmissíveis aponta que a obesidade entrou em nova fase, com recorte socioeconômico: desacelera em países ricos, mas persiste em alta em nações de renda média ou baixa.
  • Brasil é citado como exemplo de país com pico elevado de obesidade entre adultos, que não mostra estabilização; em 2024, 17% das brasileiras e 18,1% de pessoas com menos de 18 anos tinham IMC acima de 30.
  • Em parte da Europa Ocidental houve desaceleração do crescimento entre crianças e adolescentes e, posteriormente, entre adultos; Japão registra obesidade muito baixa.
  • Fatores que ajudam a explicar o avanço incluem urbanização, consumo de ultraprocessados, desigualdade social e dificuldade de acesso a alimentos saudáveis.
  • Medicamentos para perda de peso (GLP-1) podem influenciar tendências futuras, mas o acesso desigual pode ampliar disparidades; os especialistas defendem ampliar disponibilidade e educação sobre uso adequado.

Imenso estudo mundial feito pela Colaboração de Fatores de Risco de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (NCD-RisC) aponta que a obesidade vive uma nova fase, com claras diferenças socioeconômicas. A pesquisa, publicada na Nature, reúne 4.050 levantamentos entre 1980 e 2024.

O trabalho mostra desaceleração da obesidade em países de alta renda, enquanto naciones de renda média ou baixa seguem com alta prevalência. O relatório acompanha adultos e jovens, revelando trajetória ascendente em várias regiões.

Em 2024, o estudo envolveu 232 milhões de pessoas em 200 países e territórios, indo além da prevalência ao medir a velocidade de crescimento da obesidade. O quadro é de mundo dividido entreتح áreas com estabilização e outras em avanço.

Panorama global e mudanças por renda

Na Europa Ocidental, França, Dinamarca, Espanha e Itália mostram desaceleração do crescimento entre crianças, adolescentes e adultos, com sinais de queda em alguns casos. O Japão apresenta registros baixos, com obesidade entre mulheres estável em 45 anos de acompanhamento.

Estados Unidos exibem platô entre crianças e adolescentes, mantendo níveis elevados. Itália registra estabilização, com prevalência próxima a 14% entre mulheres e 15% entre homens. Ainda assim, o observado no mundo não é uniforme.

Em países como Brasil, Chile, México, Arábia Saudita e várias nações africanas e asiáticas, a obesidade continua a subir rapidamente, sem sinais consistentes de estabilização. Entre adultos e jovens, a velocidade do aumento permanece elevada.

Brasil e América Latina

Na América Latina, o Brasil é citado como exemplo de país com pico elevado de obesidade entre adultos, acima de 30%, sem sinal de estabilização. Entre 1980 e 2024, a taxa entre mulheres adultas subiu de 9,3% para 34,9%.

Dados de 2024 indicam 17% de meninas brasileiras e 18,1% de quem tem menos de 18 anos com IMC acima de 30. O crescimento desde 1980 foi de 15,2 pontos percentuais para meninas e 16,7 para jovens.

No cenário regional, México, Colômbia, Argentina e Peru apresentam aumentos variados, enquanto o Brasil destaca-se pela persistência da escalada, especialmente entre crianças e adolescentes.

Fatores, impactos e perspectivas

Urbanização, consumo de ultraprocessados, sedentarismo e desigualdade social aparecem entre os principais fatores. O ambiente social e econômico influencia mais que escolhas individuais, segundo os autores.

Autoridades e especialistas ressaltam a necessidade de políticas públicas consistentes para enfrentar mudanças no estilo de vida, alimentação e acesso a alimentos saudáveis. Em Brasil, renda e acesso a comida saudável impactam fortemente as populações vulneráveis.

Medicamentos e acessibilidade

O estudo discute o papel de medicamentos para obesidade, como GLP-1 (semaglutida, tirzepatida). Ainda não é possível estabelecer relação direta com desaceleração em países ricos, mas há potencial benefício individual.

Especialistas defendem ampliar o acesso mundial a esses tratamentos, sem perder foco na redução de custos e no treinamento de profissionais de saúde. A ideia é equilibrar inovação terapêutica com atendimento mais amplo.

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