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Maior conferência de tubarões: cientistas alertam pessimismo geral

em Colombo, mais de oitocentos pesquisadores alertam que pesca excessiva e comércio de carne de tubarões elevam o risco de extinção, com trinta e três por cento de tubarões e trinta e seis por cento de raias ameaçados

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  • Mais de oitocentos pesquisadores e conservacionistas participaram, em Colombo, de Sharks International, a maior conferência sobre tubarões.
  • Foram apresentadas pesquisas sobre o comércio global de tubarões e raias, conservação, rewilding, áreas marinhas protegidas e melhoria de monitoramento e fiscalização.
  • Dados mostram que a sobrepesca reduziu em metade as populações de tubarões e raias desde 1970; hoje, mais de um terço das espécies está ameaçado de extinção.
  • O comércio de carne de tubarão e de raia foi destacado como motor da pressão de pesca, com a carne valendo mais que as barbatanas em certos períodos (aproximadamente $2,6 bilhões versus $1,5 bilhão, entre 2012 e 2019).
  • Estima-se que quase o dobro de tubarões maquinados sejam mortos anualmente, cerca de 191 milhões de raias, e 33% dos tubarões, 36% das raias, estão ameaçados, com subnotificação de dados por alguns países.

More de 800 pesquisadores e conservacionistas reuniram-se em Colombo, capital do Sri Lanka, entre 4 e 8 de maio, para Sharks International, a maior conferência mundial sobre tubarões. O encontro debateu o comércio global de tubarões, a situação das raias e medidas de conservação, como rewilding, áreas protegidas e fortalecimento de monitoramento.

Entre as temáticas, destacou-se o peso do comércio de carne de tubarões e raias, apontado como motor da pressão pesqueira global. Estudos apresentados incluem o valor agregado da carne, superior ao das barbatanas em determinados períodos, e a necessidade de detalhar dados por espécie.

Tráfico de carne em foco

Pesquisadores da Dalhousie, Canadá, apresentaram um projeto de big data para mapear desembarques e fluxos comerciais de elasmobrânquios. Dados indicam que códigos de mercadoria dificultam a identificação por espécie e apenas 29% dos desembarques são reportados com nível de espécie.

O estudo, ainda não publicado, planeja divulgar estimativas por país na revista Science. Entre achados surpreendentes, EUA são grandes exportadores de raias; Coreia do Sul importa majoritariamente raias para consumo de skate; Índia, Indonésia e México aparecem como grandes consumidores de carne de elasmobrânquios.

A pesquisadora-chefe Aaron MacNeil destacou que mais da metade da subnotificação de espécies ocorre em apenas cinco países. O grupo também realiza entrevistas com pescadores, comerciantes e consumidores para mapear cadeias de suprimento.

Radiação de raias em evidência

Estimativas do Dalhousie sugerem que quase o dobro de tubarões é morto anualmente em relação às raias, ainda sem peer review completa. Espera-se confirmação futura, com dados de 191 milhões de raias mortas por ano.

Dados apontam que 33% das espécies de tubarões estão ameaçadas de extinção, enquanto 36% das raias enfrentam o risco, com 69% das espécies de raias associadas a recifes em situação crítica. A CITES lista uma parcela menor de raias.

Especialistas ressaltam que raias costumam receber menos atenção em políticas públicas. Países como Bangladesh, Myanmar, Tailândia, Vietnã, Indonésia e Filipinas aparecem como grandes desembarcadores de raias.

Raias são comercializadas por pele e podem alimentar mercadorias de luxo, como itens de moda, além de brinquedos. Em alguns casos, carne de tubarão pode ser substituída por carne de raias na gastronomia.

Conservação e tecnologias

Pesquisas sobre conservação incluem o uso de dispositivos elétricos para reduzir bycatch, monitoramento por eDNA, rastreamento por satélite e BRUV de vigilância. Pesquisadores também discutem a proteção de espécies profundas, recentemente incluídas em listas de tráfego sustentável.

A pesquisadora Diana Catarino estuda elasmobrânquios de água profunda com BRUVs, num momento em que tubarões de profundidade ganham maior atenção devido ao uso de óleos de fígado na indústria cosmética e farmacêutica.

Técnicas de monitoramento de espécies com DNA portátil já ajudam a identificar a procedência de aletas, mas produtos derivados do óleo de fígado continuam desafiadores por serem muito processados.

Rewilding e incentivos

Projetos piloto de rewilding de tubarões e raias mostram avanços. Em Indonésia, o programa ReShark soltou dezenas de filhotes de tubarão-leopardo em arquipélagos locais; Fiji é o próximo destino. Em Taiwan, o Shark Ray 360 planeja soltar uma primeira guitarra-fish criada em cativeiro.

Organizações locais promovem programas de incentivos para comunidades protegendo tubarões, como a compra de barcos de pesca para transformar a atividade econômica. Em Lombok, Indonésia, 2 barcos foram adquiridos para incentivar alternativas de renda.

Desafios regulatórios e sociais

Apesar das estratégias, muitos habitats de tubarões, raias e quimáridos não coincidem com áreas marinhas protegidas. Em Asia, apenas 5,4% dessas áreas se sobrepõem aos recintos de proteção, segundo mapeamentos em curso.

Especialistas apontam que a regulação internacional é fraca para as áreas de alto oceano, com tubarões frequentemente classificados como captura acessória, mesmo sendo espécies valiosas. A tomada de decisão política é citada como principal entrave à proteção efetiva.

Quase todos os especialistas defendem abordagens híbridas, com ações específicas por espécie, contexto e região, em vez de políticas únicas. A ideia é combinar medidas que protejam comunidades locais com salvaguardas ecológicas.

Perspectivas para o futuro

A conferência reforça a necessidade de ações coordenadas entre ciência, políticas públicas e comunidades para evitar que espécies entrem em risco de extinção. O estudo sobre trade de carne de tubarões e raias deve avançar para publicação científica, contribuindo com dados para políticas de gestão de pescado.

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