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Neurocientista afirma que IA não tem valores e não se importa conosco

No São Paulo Innovation Week, Suzana Herculano-Houzel afirma que a IA não tem valores e o tempo é precioso, alertando para risco à flexibilidade cognitiva com uso de telas

Suzane Herculano-Houzel, neurocientista e autora do livro A Vantagem Humana
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  • Suzana Herculano-Houzel, neurocientista, participou do São Paulo Innovation Week para discutir cérebro, inteligência, tecnologia e IA.
  • Ela disse que tempo é o presente mais precioso da evolução e pode ser ameaçado pela hiperconectividade e pela automação excessiva.
  • A principal diferença entre humanos e máquinas está no número de neurônios corticais, o que confere flexibilidade cognitiva e capacidade de prever consequências.
  • A pesquisadora destacou que a inteligência humana é proativa e está ligada à flexibilidade, ao passo que a IA não tem valores nem se preocupa com as pessoas.
  • Ela fez críticas ao uso passivo de tecnologia e ao consumo excessivo de telas, defendendo educação e uso da tecnologia como ferramenta para ampliar o tempo de aprendizado.

Suzana Herculano-Houzel, neurocientista e autora de A Vantagem Humana, discutiu o impacto da tecnologia na sociedade durante o São Paulo Innovation Week. A palestrante destacou que tempo é o recurso mais precioso da evolução humana e o maior desafio diante da hiperconectividade e da automação.

A pesquisadora reforçou que a diferença entre o ser humano e outras espécies não está apenas no tamanho do cérebro, mas no número de neurônios corticais. Segundo ela, os neurônios funcionam como processadores, determinando nossa flexibilidade cognitiva.

Herculano-Houzel comparou a evolução dos computadores com o cérebro humano, afirmando que o córtex é o motor da adaptação. A palestra enfatizou que a inteligência é a capacidade de agir com flexibilidade frente a novas situações.

Ela defendeu que a inteligência humana é proativa e que a tecnologia deve ampliar o tempo livre para aprender. O debate questionou a visão de que o aumento do cérebro decorre apenas da seleção natural.

Inteligência humana e IA

A pesquisadora afirmou que a inteligência artificial não possui valores nem empatia, e, por isso, não se alinha aos objetivos humanos. Segundo ela, a IA funciona como ferramenta, não como tomadora de decisões com propósito.

Para entender o cérebro, a apresentação apontou a relação entre tecnologia e tempo de vida. Ferramentas que ampliam oportunidades energéticas teriam impulsionado o desenvolvimento humano ao longo da evolução.

Herculano-Houzel também associou o prolongamento da infância ao ganho de tempo para aprendizado e construção de conhecimento. A ideia é que mais neurônios exigem mais tempo de educação e cuidado social.

Uso excessivo de telas

Em defesa da educação como eixo para o conhecimento, a cientista criticou o consumo passivo de tecnologia. Ela citou o uso de IA generativa como exemplo de distração que não gera aprendizado.

Ela criticou o ChatGPT pela geração de informações sem construção de saber, defendendo que o aprendizado vem da prática e do desenvolvimento de habilidades. A palestrante alertou para o sequestro da atenção pelas plataformas digitais.

A pesquisadora destacou que terceirizar a cognição reduz a flexibilidade mental com o tempo, o que poderá comprometer o crescimento pessoal e profissional. Ela pediu equilíbrio entre uso de tecnologia e aprendizado ativo.

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