- Suzana Herculano-Houzel participou do São Paulo Innovation Week no dia 14, em painel sobre pensar melhor para viver melhor, discutindo uso da inteligência diante excesso de informação e IA.
- A pesquisadora afirmou que ninguém nasce pronto intelectualmente e diferenciou capacidade de habilidade, enfatizando que a habilidade depende de tempo, exposição, repetição, experiência e oportunidade; a escola deve ser espaço de oportunidades para transformar informação em conhecimento.
- Defendeu oposição à passividade gerada pela automação e que é preciso aprender a usar a inteligência com inteligência, buscando descobrir valores, aplicar informações, pensar adiante e experimentar novas formas de agir.
- Enfatizou que inteligência não depende do tamanho do cérebro, mas do número de neurônios; o cérebro humano tem cerca de 86 bilhões de neurônios, com 16 bilhões na região cortical, e que inteligência é flexibilidade comportamental.
- No SPIW, o evento de tecnologia e inovação reúne mais de dois mil palestrantes e ocorre no Pacaembu e na Faap, buscando explorar ciência, educação e tecnologia.
Suzana Herculano-Houzel subiu ao palco do São Paulo Innovation Week (SPIW) nesta quinta-feira, 14, para debater como usamos a nossa inteligência diante de um volume enorme de informações e decisões cada vez mais terceirizadas para a IA. O painel Pensar melhor para viver melhor reuniu uma das mais reconhecidas neurocientistas brasileiras para discutir educação, tecnologia e comportamento, sem abrir mão da clareza científica.
A pesquisadora ressaltou que ninguém nasce pronto intelectualmente, diferenciando capacidade de habilidade. Segundo ela, habilidade é resultado de tempo, exposição, repetição, experiência e oportunidades. A escola, nessa leitura, é um espaço de oportunidades para transformar informação em conhecimento.
Como aprender a agir com inteligência?
No segundo momento do painel, a cientista criticou a passividade gerada pela automação e disse que a inteligência se aproveita das oportunidades para descobrir valores individuais, aplicar informações e abrir portas, incentivando novas formas de agir.
O que define a inteligência?
Segundo Suzana, o tamanho do cérebro não é o determinante; o que importa é o número de neurônios. Ela aponta que o cérebro humano tem cerca de 86 bilhões de neurônios, cifra que hoje figura na literatura científica. Inteligência é, para a pesquisadora, flexibilidade comportamental.
Ela cita que, em média, o córtex humano contém 16 bilhões de neurônios corticais, o dobro do que se observa em gorilas. Em referência a aves, afirma que corvos possuem entre 2 e 3 bilhões de neurônios, número próximo ao de alguns grupos de dinossauros jurássicos em estimativas históricas. A apresentadora explicou que o córtex não controla o corpo diretamente, mas recebe cópias de informações dele e as recombina, o que explica a capacidade de adaptar comportamentos.
SPIW e contexto
O SPIW é descrito como o maior festival global de tecnologia e inovação, organizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos. O evento ocorre no Pacaembu e na Faap, entre os dias 13 e 15 de julho, reunindo mais de 2 mil palestrantes de áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia.
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