- Estudo de metanálise com 37 pesquisas mostrou que exposição a antidepressivos durante a gravidez ou pela via paternal teve, no geral, pouca ou nenhuma associação com autismo ou TDAH após ajustar por fatores de confusão.
- Inicialmente, houve aumento de risco de cerca de 35% para TDAH e 69% para autismo sem deficiência intelectual quando a exposição era materna; o risco de autismo subiu 28% com exposição paterna. Após ajustes, essas perdas de associação diminuíram significativamente.
- Aumento do risco de autismo ficou em torno de 15% após levar em conta fatores genéticos, familiares e razões para o uso dos medicamentos.
- As evidências indicam lacunas sobre dose, duração do tratamento e uso materno e paterno próximo ao período gestacional, e ressaltam que depressão não tratada também traz riscos para mãe e filho.
- Especialistas destacam que, em casos de depressão durante a gravidez, continuar o tratamento pode ser apropriado quando necessário, com avaliação individual e discussão sobre benefícios e riscos entre paciente e médico.
Nos últimos anos, cresceu a preocupação sobre se antidepressivos usados durante a gravidez podem impactar o neurodesenvolvimento do bebê. Um grupo de pesquisadores reuniu as melhores evidências até hoje sobre o uso de antidepressivos pelos pais antes e durante a gestação e as chances de autismo e TDAH nas crianças.
A revisão e metanálise agregaram 37 estudos, com mais de 600 mil mulheres grávidas em uso de antidepressivos e quase 25 milhões de gestações sem uso. O relatório foi publicado na Lancet Psychiatry, na quinta-feira.
Inicialmente, houve associação entre uso materno de antidepressivos na gravidez e riscos maiores de TDAH (35%) e autismo sem deficiência intelectual (69%). O uso paterno foi ligado a 46% de TDAH e 28% de autismo. Após ajustes para fatores de confusão, a maioria dessas associações enfraqueceu.
Com os ajustes, o risco de autismo ficou em cerca de 15%. Os autores ressaltam que fatores genéticos e familiares e a própria depressão podem explicar grande parte dos resultados. O estudo aponta a necessidade de considerar vulnerabilidades pré-existentes das famílias.
Especialistas destacam que antidepressivos são o tratamento principal para depressão, presente em mais de 10% das gestantes. A discussão pública sobre riscos envolve principalmente os ISRSs, classe mais prescrita. O resultado reforça a importância de decisões informadas entre paciente e médico.
A pesquisa ressalva lacunas: não houve foco detalhado em dose, duração e a relação entre uso materno e paterno próximo à gravidez. Essas informações tornam-se próximos passos para entender efeitos diferenciais e orientar orientações clínicas.
Para decisões de tratamento, médicos enfatizam que a gravidez é um período de grande preocupação com a saúde da mãe e do bebê. Os autores defendem que a continuidade do tratamento pode manter bem-estar materno quando necessário, pesando os riscos da depressão não tratada.
Tomando decisões de tratamento
Gestantes e pacientes devem discutir riscos e benefícios com profissionais de saúde. Em casos de interrupção, a descontinuação deve ser gradual e acompanhada, para evitar síndromes de abstinência combinadas a desconfortos da gravidez.
Especialistas destacam que, quando a depressão é grave, terapias não farmacológicas podem complementar ou substituir o uso de antidepressivos. Também ressaltam que a saúde mental dos pais pode influenciar o desenvolvimento infantil a longo prazo.
Pais e médicos devem considerar que a depressão não tratada aumenta riscos de prematuridade e baixo peso ao nascer, além de impactos comportamentais e cognitivos. As evidências atuais apoiam a continuidade do tratamento quando necessário, com monitoramento.
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