- Estudos recentes indicam que usar IA aumenta fadiga de decisão, erros graves e sobrecarga informacional entre profissionais que adotaram as ferramentas, segundo pesquisas em contextos distintos.
- A investigação da BCG em parceria com a Universidade da Califórnia, Riverside, divulgada pela Harvard Business Review, reforça o efeito e traz o termo “AI brain fry” para descrever o fenômeno.
- Comentários de Andrej Karpathy, ex-diretor da OpenAI, falam de produtividade aparente alta sem que o julgamento acompanhe; o StartSe mostra que quase metade das empresas brasileiras já usa IA, mas apenas 10% entendem o que fazem.
- O fator determinante é o conhecimento de domínio: quem já domina o tema usa a IA como multiplicador; quem está aprendendo pela IA tende a cansar, errar e confundir plausibilidade com verdade.
- Conclusão prática: a IA não nivela por igual; ela amplia o acesso à informação, mas amplifica o valor de quem sabe perguntar e interpretar. O uso adequado depende de domínio consolidado; versão final citada: Guilherme Assis, CEO do Gorila.
O artigo analisa o impacto da IA no trabalho e na tomada de decisão. Três estudos, em contextos distintos, apontam que o uso de IA pode aumentar fadiga de decisão, erros e sobrecarga informacional. O tema é debatido entre gestores e especialistas.
A pesquisa da BCG, em parceria com a UC Riverside, revelou que profissionais que adotaram IA apresentaram 33% mais fadiga de decisão, 39% mais erros graves e 19% mais sobrecarga de informações. Os resultados aparecem na Harvard Business Review, em março.
Outros relatos vêm de Andrej Karpathy, ex-diretor da OpenAI, que descreveu o “psicose de IA”: produtividade aparente não acompanha o julgamento. Na prática, o risco é o desalinhamento entre velocidade de respostas e qualidade de decisão.
Paralelamente, o StartSe divulgou uma pesquisa recente: quase metade das empresas brasileiras já usa IA em algum processo, porém apenas 10% entendem exatamente o que estão fazendo. Os dados destacam um uso difundido, ainda sem compreensão plena.
Em todos os casos, o fator determinante é o conhecimento de domínio. Profissionais com base prévia usam a IA como multiplicador; quem está aprendendo com a IA tende a gastar mais energia e cometer mais erros. O domínio não foi nivelado pela tecnologia.
A explicação pode estar em Kahneman: a atenção deliberada define decisões importantes. A IA aumenta as opções de relevância, gerando custo cognitivo para filtrar informações. Quem já domina o problema filtra melhor; quem não domina se perde no excesso de opções.
A avaliação aponta que o problema não é a IA em si, mas seu uso como substituto de conhecimento. Perguntas precisas e leitura crítica da resposta diferenciam especialistas de iniciantes. O foco está no que cada pessoa já sabe sobre o tema.
A tendência é de que habilidades de domínio percam valor frente a modelos genéricos, enquanto a capacidade de formular perguntas específicas ganhe peso. O uso inteligente da IA depende de consolidar base de conhecimento e aplicá-la com rigor.
Conclusão não é necessária. O artigo ressalta que a IA funciona como amplificador de competências já desenvolvidas, não como substituto do conhecimento. O desafio é manter o domínio humano ao lado da tecnologia.
Guilherme Assis, cofundador e CEO do Gorila, assina o artigo.
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