Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Comportamento sexual de macacos-prego filhotes pode ter funções complexas

Estudo com macacos-prego mostra que comportamentos sexuais na infância ajudam no desenvolvimento social, vínculos e dominância, não apenas na reprodução

Dois macacos-pregos com pelagens em tons marrom claro e bege. Eles estão abraçados, montados um no outro. Fundo folhas de palmeira secas.
0:00
Carregando...
0:00
  • Estudo analisou 265 horas de gravações de 16 filhotes de macacos-prego Sapajus libidinosus e Sapajus xanthosternos, em ambiente natural, sugerindo funções sociais dos comportamentos sexuais na infância.
  • Machos mostraram mais e mais variados comportamentos sociossexuais na primeira ano; fêmeas tendem a liderar o cortejo na vida adulta, invertendo o padrão observado em adultos.
  • Seis comportamentos foram mais frequentes e detalhados: ereção, monta, tentativa de monta, levantamento de sobrancelhas, inspeção genital e esfregação do peito, observados principalmente em machos.
  • A ereção foi o comportamento sexual mais comum entre os filhotes, especialmente entre machos; nas fêmeas, foi registrada apenas indiretamente.
  • As pesquisadoras indicam funções sociais distintas: vínculos sociais e regulação hormonal em machos; exploração e brincadeira mais associadas às fêmeas; estudo publicado na revista Evolution and Human Behavior.

A pesquisa analisou 265 horas de gravações de filhotes selvagens de macacos-prego para entender por que comportamentos sexuais aparecem na primeira infância. Os cientistas não ligam esses hábitos apenas ao ensaio para a reprodução futura. A investigação envolve espécies do gênero Sapajus.

Conduzido por pesquisadores do Instituto de Psicologia e do Instituto de Biociências da USP, em parceria com a University of Lethbridge e o National Institute of Advanced Studies, o estudo acompanhou 16 filhotes. Os resultados foram publicados na revista Evolution and Human Behavior.

Os filhotes machos apresentam comportamentos sexuais mais cedo e com maior frequência do que as fêmeas, cenário oposto ao observado na vida adulta, onde as fêmeas costumam liderar o cortejo. A equipe também destacou a variabilidade dos padrões entre machos e fêmeas.

O que foi observado

Foram avaliados 23 comportamentos no repertório de adultos, com foco em seis comportamentos mais frequentes. Entre eles, ereção, monta, tentativa de monta, levantamento de sobrancelhas, inspeção genital e esfregação do peito. Em fêmeas, a ereção direta não foi observada, de modo explícito.

A monta é comum entre os sexos, porém mais frequente entre machos. A tentativa de monta aparece com maior relevância entre as fêmeas. Masturbação, exibição genital e lavagem com urina ocorrem mais entre os machos. Interações afetivas não mostraram diferença significativa entre os sexos.

Os resultados indicam que a idade e o sexo influenciam o desenvolvimento de comportamentos sexuais de formas distintas, variando conforme o tipo de comportamento. Machos tendem a ser emissores com maior frequência, especialmente à medida que envelhecem.

Contextos e implicações

As interações ocorrem principalmente em contextos de brincadeira, com maior ocorrência entre machos. Depois aparecem interações explicitamente sexuais e, em seguida, atividades como alimentação ou amamentação. Contextos de cuidado mútuo e de conflitos também foram registrados.

Os pesquisadores levantam que os comportamentos sexuais na infância podem cumprir funções sociais distintas: em machos, relacionamento social e regulação hormonal; em fêmeas, atividades de exploração e brincadeira com função social menos definida.

Conexões com a sexualidade humana

As pesquisadoras destacam que entender a sexualidade nos primeiros meses de vida dos primatas ajuda a compreender a flexibilidade da sexualidade em diferentes espécies, incluindo humanos. Observa-se curiosidade e brincadeiras relacionadas à sexualidade em crianças, sujeitas a normas culturais diversas.

O estudo foi publicado na revista Evolution and Human Behavior e contou com apoio institucional de institutos brasileiros e internacionais. Contatos para informações adicionais estão disponíveis com a equipe envolvida na USP.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais