- Estima-se que a Zona Clarion-Clipperton, no Pacífico central, contenha mais de 21 bilhões de toneladas de nódulos polimetálicos, com concentrações de manganês, níquel, cobre e cobalto, sendo o maior depósito identificado de metais para baterias.
- Robôs do tamanho de caminhões operam a mais de 4.000 metros de profundidade, coletando nódulos do leito oceânico e levando o material a bordo por um riser de 4.300 metros até o navio de superfície.
- O Hidden Gem, navio da Allseas, é o único ex-navio de perfuração transformado para mineração profunda; tem 228 metros de comprimento e potências de milhares de kilowatts para posicionamento.
- Em teste realizado em 2022, a operadora The Metals Company e a Allseas coletaram mais de 3.000 toneladas de nódulos em 80 quilômetros de leito, atingindo 86 toneladas por hora, com mínimo perturbação do sedimento superficial.
- A extração envolve preocupações ambientais e de governança: a ISA não fechou um código de mineração em 2025; autoridades, como NOAA, expandiram áreas licenciáveis, enquanto estudos alertam para danos a ecossistemas abissais.
No fundo do Pacífico, robôs do tamanho de caminhões rastreiam o leito marinho em busca de nódulos polimetálicos. Localizados a mais de 4 mil metros de profundidade, esses equipamentos coletam minerais como níquel, cobre, manganês e cobalto para baterias. A operação envolve trilhos de apoio, jatos de água e um sistema de aproveitamento de nódulos.
A Zona Clarion-Clipperton abriga o maior depósito de metais críticos já identificado. Situada no Pacífico central, entre o México e o Havaí, a região pode conter bilhões de toneladas de nódulos repousando sobre o sedimento. A exploração promete abastecer indústrias de veículos elétricos, em meio a debates ambientais intensos.
O que são nódulos polimetálicos
A ZCC abrange cerca de 6 milhões de km², com altas concentrações de manganês, níquel, cobre e cobalto. O leito é acessível na superfície, diferentemente de minas terrestres que demandam rocha e processamento pesado. Dados indicam que as reservas da ZCC são as maiores do mundo para esses metais.
Como funcionam os robôs coletadores
Os tratores submarinos movem-se sobre o sedimento usando esteiras largas, distribuindo peso. Jatos de água desprendem os nódulos, que são sugados por diferença de pressão. O material sobe por um riser de 4.300 metros até o navio de superfície para desidratação e armazenamento.
O Hidden Gem e o papel da Allseas
O navio Hidden Gem, convertido de perfurador de petróleo, opera na mineração de nódulos. Possui 228 metros, 43.740 kW de potência, espaço para 140 pessoas e seis propulsores para posicionamento estável. A parceria com a indústria tem sido acompanhada por registros de operações do robô no leito oceânico.
Testes de 2022 e resultados
Em outubro de 2022, houve o primeiro teste integrado de escala industrial, a 4.280 metros de profundidade. Resultados publicados mais tarde mostraram que o robô percorreu 80 km, coletou mais de 3.000 toneladas e manteve taxa de 86 toneladas por hora em operação contínua. O impacto no sedimento superfícial foi mínimo.
Outros atores e: quadro regulatório
Além da TMC, empresas como GSR, DEME, China Minmetals e organizações nacionais atuam com seus veículos. Em 2026, autoridades regulatórias internacionais passaram a avaliar licenças e áreas de operação, buscando equilibrar exploração com conservação ambiental.
Por que ainda há controvérsia
A extração de nódulos pode eliminar ecossistemas únicos e afetar fauna abissal. Estudos indicam impactos que persistem por décadas, com recuperação lenta de comunidades dependentes dos nódulos. A produção de baterias não evita custos ecológicos significativos.
O quadro regulatório atual
A ISA, órgão da ONU, trabalha na definição de um código de mineração. Em 2025, acalorados debates não chegaram a consenso sobre regras operacionais e ambientais. A conclusão de acordos globais ainda depende de acordos entre países, empresas e comunidades científicas.
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