- Estudo com 914 participantes (2022 a 2025) mostra que o fact-checking não basta para combater a desinformação; o problema está na confiança social e no contexto político.
- Faltando menos de cinco meses para as eleições, a pesquisa aponta que mais da metade compartilha conteúdo falso, mesmo sem acreditar plenamente nele; 28,7% acreditaram na fake news apresentada, e 52,6% indicaram intenção de compartilhá-la.
- A origem da mensagem importa: quando vem de quem é considerado confiável, 59,9% querem compartilhar, contra 45,7% quando a fonte não tem credibilidade prévia.
- O estudo identifica três fatores centrais: transferência de credibilidade, atalho cognitivo e utilidade percebida para a rede de contatos.
- Entre as recomendações, estão educação midiática, prebunking (vacinação psicológica contra desinformação) e maior regulamentação de plataformas; cartilha educativa será disponibilizada em breve.
O estudo aponta que checagem de fatos sozinha não combate a desinformação. Experimentos sugerem que a confiança social sustenta a circulação de notícias falsas, e que educação e regulamentação são mais eficazes no enfrentamento. O cenário se complica com avanços em IA generativa.
Pesquisadores da ESPM e do Insper, em São Paulo, realizaram três experimentos com 914 participantes entre 2022 e 2025. A pesquisa revela que mais da metade tende a compartilhar conteúdo falso mesmo sem acreditar na sua veracidade. A origem da mensagem influencia mais a reação que o conteúdo.
Faltam menos de cinco meses para as eleições no Brasil, contexto em que o estudo ganha relevância. Os autores recomendam medidas de educação midiática e de políticas públicas para reduzir o impacto da desinformação em um ambiente propenso a manipulação.
Credibilidade nas relações
A pesquisa mostra que acredite ou não no conteúdo, a confiança no emissor eleva o compartilhamento. Quando a mensagem vem de uma fonte considerada confiável, 59,9% manifestam a intenção de encaminhar; de fonte sem credibilidade, houve 45,7%. O emissor modula o comportamento mais que o conteúdo em si.
O trabalho aponta três fatores centrais: transferência de credibilidade, atalho cognitivo e utilidade percebida pela rede. Em conjunto, eles explicam por que mensagens de familiar ou amigo têm maior impacto que o conteúdo isolado.
Desafios atuais
Especialistas ressaltam que checagem é essencial, mas insuficiente para frear a desinformação. Professores ou pesquisadores destacam a importância de ensinar a desconfiar de forma responsável, mantendo relações de confiança, mas estimulando a verificação.
Entre as propostas, o prebunking surge como abordagem proativa. A ideia é antecipar estratégias de manipulação e promover resiliência cognitiva antes da disseminação de conteúdos enganosos, principalmente em ambientes digitais.
Limites regulatórios e IA
Os especialistas apontam a necessidade de maior regulamentação das plataformas e de mecanismos de responsabilização. O Digital Services Act, na Europa, é citado como exemplo. No Brasil, ainda não há uma proteção equivalente consolidada.
Com IA capaz de gerar conteúdos com aparência de legitimidade, o desafio se intensifica em períodos eleitorais. A desinformação passa a conectar identidade e emoção a posicionamentos políticos, aumentando o potencial de dano.
Caminhos para a cidadania digital
Os estudiosos defendem combinar checagem, jornalismo responsável e ferramentas das plataformas para derrubar conteúdos nocivos. A produção de materiais educativos e a divulgação de uma cartilha com orientações estão entre as medidas previstas.
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