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Icebergs de gordura se espalham pelos esgotos das cidades, alertam cientistas

Inteligência artificial orienta sensores e robôs na detecção e remoção de fatbergs, bloqueios de gordura que ameaçam redes de esgoto e elevam a segurança

Robô em testes dentro de um cano
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  • Icebergs de gordura (fatbergs) bloqueiam redes de esgoto em várias cidades, incluindo Londres, onde um bloco com mais de 100 toneladas foi encontrado em 2025, após ter reaparecido.
  • No Reino Unido, são cerca de 300 mil acúmulos desse tipo por ano; a Southern Water usa IA e cerca de 34 mil sensores para monitorar níveis de água e acionar interventores quando necessário.
  • Em Nova York, 40% dos acúmulos são de graxa, e a cidade gasta cerca de US$ 18,8 milhões por ano para remover bloqueios e abrir os esgotos.
  • Tecnologias avançadas ganham espaço: robôs e sensores, com projeto da União Europeia de US$ 9 milhões visando robôs autônomos que inspeccionem e retirem fatbergs, além de aprendizado de máquina para interpretar imagens.
  • Empresas de saneamento registraram queda de vazamentos em redes bloqueadas, com avanços na detecção precoce ajudando a evitar alagamentos e poluição ambiental.

No subsolo de Londres, uma massa de gordura endurecida, conhecida como fatberg, foi detectada pela primeira vez em Whitechapel Road. Pesando cerca de 130 toneladas, cresceu na rede de esgoto vitoriana sem chamar atenção até uma inspeção de rotina. Trabalhadores usaram picaretas e jatos de alta pressão para tentar removê-la.

A gordura é composta por óleo, graxa, resíduos de higiene e lixo despejado no sistema, que se aglutina e endurece como concreto. Autoridades locais afirmam que blocos desse tipo ameaçam cidades em todo o mundo, causando alagamentos e poluição de rios quando não são controlados.

Em Londres, a equipe da Thames Water levou nove semanas para retirar a massa de 2017. Em 2025, o mesmo fatberg voltou a crescer, chegando a mais de 100 toneladas. Globalmente, as empresas de água enfrentam cerca de 300 mil desses acúmulos por ano.

Sinais precoces

No Reino Unido, a Southern Water implantou cerca de 34 mil sensores nas redes de esgoto para monitorar níveis de água com radares refletidos pela água. Um algoritmo de aprendizado de máquina analisa dados climáticos e de precipitação para identificar leituras fora do normal e acionar ações.

A tecnologia reduz vazamentos ambientais e aumenta o tempo de intervenção, mantendo trabalhadores longe de ambientes sujos e com riscos de gases tóxicos. Em 2026, a Southern Water já limpou 700 bloqueios com IA, com total anual entre 3,5 mil e 4 mil ocorrências.

Desdobramentos globais

Nos Estados Unidos, Nova York registra que 40% dos acúmulos no esgoto são de graxa, gerando despesas anuais de cerca de US$ 18,8 milhões para desobstruções. Icebergs de gordura também foram encontrados em Detroit, Baltimore, Oxford, Liverpool, Melbourne e Sydney.

Ao mesmo tempo, pesquisadores buscam entender melhor a formação dos fatbergs. Projetos com robôs para inspeção e remoção começaram a ganhar força na UE e nos EUA, com financiamentos para desenvolver máquinas capazes de localizar, agarrar e remover blocos de gordura sem intervenção humana direta.

Robôs e IA no combate aos blocos

Um consórcio europeu, com financiamento de US$ 9 milhões, desenvolve robô submarino com sensores, câmeras, LiDAR e braços para retirar fatbergs. O objetivo é criar sistemas autônomos com algoritmos de aprendizado de máquina para operar em esgotos, mantendo trabalhadores em áreas seguras.

Empresas como a SewerAI já automatizam a análise de imagens de esgoto, reconhecendo sinais de problemas com alta precisão. Desafios incluem resistência de equipamentos à corrosão, comunicação subterrânea e condições extremas, mas os especialistas destacam ganhos em economia e proteção aos operários.

Perspectivas

Especialistas destacam que o uso combinado de IA, sensores e robótica pode transformar o manejo de fatbergs. A expectativa é reduzir o tempo de resposta, aumentar a eficiência na detecção precoce e reduzir riscos à população e ao meio ambiente.

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