- Estudo com mais de 2 mil adultos na Austrália mostra que aumentar em cerca de 10% o consumo de ultraprocessados está ligado a uma leve queda no desempenho da atenção, em pessoas entre 40 e 70 anos.
- Os participantes passaram por questionários sobre alimentação e testes cognitivos que avaliaram memória, velocidade de processamento e atenção.
- Alimentos ultraprocessados costumam ter baixo valor nutricional e podem conter aditivos que promovem inflamação; também podem favorecer resistência à insulina, afetando a função cerebral a longo prazo.
- A relação não é causal única: sono de qualidade, estresse, estado emocional e uso de medicamentos também influenciam a concentração, além do ambiente com constantes estímulos digitais.
- O estudo sugere mudanças simples: priorizar alimentos naturais, aumentar frutas, verduras e proteínas magras, reduzir snacks industrializados, manter rotina de sono e praticar atividade física.
O consumo de ultraprocessados pode estar relacionado a quedas no desempenho de atenção, segundo estudo publicado na revista Alzheimer’s & Dementia: Diagnosis, Assessment & Disease Monitoring (2026). A pesquisa analisou dados de mais de 2 mil adultos na Austrália.
Entre os participantes, de 40 a 70 anos, houve avaliação de hábitos alimentares e testes cognitivos. O principal achado: um aumento de cerca de 10% no consumo de ultraprocessados associou-se a leve queda na atenção.
Apesar do efeito pequeno individual, o estudo aponta que o impacto pode se acumular ao longo do tempo, influenciando funções como foco e velocidade de processamento.
Os ultraprocessados, em geral, passam por diversas etapas industriais e apresentam baixa densidade nutricional, com menos vitaminas, minerais e fibras, além de aditivos artificiais.
Esses fatores podem favorecer processos inflamatórios e resistência à insulina, condições que, ao longo do tempo, podem prejudicar a função cognitiva.
Especialistas ressaltam que a dieta não atua isoladamente. Fatores como sono de qualidade, estresse, estado emocional e uso de medicamentos também influenciam a concentração.
O ambiente digital, com estímulos constantes, também contribui para a névoa mental, que costuma ter origem multifatorial e não depende apenas da alimentação.
Como reconhecer ultraprocessados
Alimentos ultraprocessados costumam ter lista extensa de ingredientes pouco reconhecíveis, aditivos industriais e alto teor de açúcar, sódio ou gorduras refinadas.
Produtos prontos para consumo ou apenas para aquecimento, com longa vida útil, também sinalizam maior processamento.
Ações práticas para o dia a dia
Pesquisas sugerem priorizar itens naturais ou minimamente processados, aumentar frutas, verduras e proteínas magras, reduzir snacks industrializados e manter sono regular.
A prática de atividade física regular também é indicada, junto da revisão de medicamentos com orientação médica para casos persistentes de dificuldade de concentração.
Entre na conversa da comunidade