- SPIW nas periferias levou debates sobre universo, IA e futuro da humanidade a um CEU na Cidade Ademar, zona sul de São Paulo.
- Gleiser, curador da trilha Ciência para Todos, defendeu deselitizar o conhecimento e levar a programação aos CEUs, com atividades neste fim de semana em quatro unidades.
- O físico explicou que a ciência descreve a expansão do universo desde frações de segundo após o Big Bang, mas não há resposta definitiva para o instante zero; destacou que ciência não precisa ter todas as respostas para ser relevante.
- O tema da inteligência artificial foi discutido, com alertas sobre riscos de uso passivo da tecnologia e a necessidade de manter a empatia e a percepção humana, mesmo com avanços da IA.
- Ao final, Gleiser reforçou que a visão do cosmos mudou ao longo da história e que a ciência continua sendo ferramenta central para entender o mundo, mesmo diante de perguntas sem resposta definitiva.
O São Paulo Innovation Week promoveu uma sessão integrada aos Side Events nas periferias. No CEU Silvio Santos, na Cidade Ademar, zona sul de SP, o físico Marcelo Gleiser discutiu ciência, universo e futuro da humanidade com estudantes. O objetivo é levar conhecimento além dos pontos centrais da cidade.
A atividade faz parte do SPIW, festival de inovação promovido pelo Estadão em parceria com a Base Eventos. Os encontros ocorrem junto a CEUs, com apoio da Prefeitura, ampliando o acesso público à cultura e à educação. A programação acontece neste fim de semana, 16 e 17, em quatro unidades.
Deselitizar o conhecimento
Gleiser pediu aos alunos que se aproximassem do palco, destacando a razão de aproximar ciência e comunidade. Imagens de galáxias foram projetadas para explicar como telescópios se posicionam entre a Terra e o Sol, evitando poluição luminosa.
Ele ressaltou que avanços tecnológicos, vindos da pesquisa astronômica, geram impactos práticos na vida cotidiana, como na óptica, no GPS e em outros dispositivos usados no dia a dia. A curiosidade científica sustenta o desenvolvimento tecnológico.
O que ainda não se sabe
O curador da trilha Ciência para Todos abordou perguntas centrais da ciência: como o universo começou, como a vida surgiu na Terra e a possibilidade de vida extraterrestre. Segundo Gleiser, existem bilhões de planetas, ainda sem evidência de contato com outros seres.
A discussão também tratou da inteligência artificial. O palestrante destacou que a IA deve ser usada como ferramenta de aprendizado, não como substituto da experiência humana, que envolve empatia e percepção do mundo.
Perspectivas sobre a ciência
Na conclusão da palestra, Gleiser descreveu a evolução da visão astronômica, de Galileu à expansão observada por Hubble. A mensagem central foi de que, quanto mais aprendemos, menos nos sentimos centrais no cosmos.
O evento reforçou a ideia de que a ciência permanece como principal instrumento para entender o mundo, mesmo diante de perguntas sem respostas definitivas. A iniciativa busca ampliar o acesso ao conhecimento na cidade.
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