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Papagaio sem meio bico desenvolve técnica de esgrima e se torna alfa da espécie

Bruce, papagaio-da-nova Zelândia sem metade do bico, lidera o bando com esgrima com o bico remanescente e acesso privilegiado à comida

Bruce (embaixo), sem a parte de cima do bico, recebendo limpeza da parte inferior do bico por um de seus subordinados
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  • Bruce é um kea da Nova Zelândia, vive na Reserva da Vida Selvagem Willowbank, e ficou sem a parte superior do bico após um acidente, usando a parte de baixo para “esgrima” e dominar o bando.
  • Ele participou de trinta e seis das duzentas e vinte e sete interações observadas e venceu todas as brigas registradas.
  • Bruce é o único do grupo a receber tratamento de penas de aves que não são parceiras sexuais e tem acesso preferencial aos comedouros, chegando primeiro em oitenta e três por cento das ocasiões; em quatro dias teve acesso exclusivo por, pelo menos, quinze minutos.
  • O papagaio usa a parte remanescente do bico para ataques frontais, mobilizando o pescoço como mola e atacando costas, cabeça, asas e patas; também utiliza as patas, mas o bico é mais eficiente, emsetenta e três por cento dos ataques.
  • O estudo, coordenado por Alexander Grabham da Universidade de Canterbury, foi publicado na Current Biology e sugere que Bruce mantém a posição dominante de forma independente, com baixos níveis de estresse no bando.

Bruce é um kea, papagaio-da-Nova Zelândia, que vive na Reserva da Vida Selvagem Willowbank, no país. A ave foi privada da parte superior do bico após um acidente, o que levou ao desenvolvimento de uma técnica de esgrima com a parte inferior do bico. O estudo que descreve o comportamento foi publicado na Current Biology.

Segundo a pesquisa coordenada por Alexander Grabham, da Universidade de Canterbury, Bruce lidera um bando de 12 keas em cativeiro. O grupo é composto por oito machos e três fêmeas; não há registro de como ocorreu a perda da parte de cima do bico dele.

Em observações que acompanharam 227 interações agonísticas, Bruce participou de 36 e venceu todas. O papagaio recebe tratamento de penas de aves que não são suas parceiras sexuais, o que não é comum entre os demais indivíduos do bando.

Bruce tem acesso preferencial aos comedouros instalados pela equipe da reserva. Em 83% das situações, foi o primeiro a chegar; em quatro dias, manteve acesso exclusivo aos comedouros por ao menos 15 minutos antes que outro papagaio o acompanhasse.

Os cientistas descrevem que, diferentemente da prática habitual dos keas, que atacam de cima para baixo mirando o pescoço, Bruce ataca na frente com a parte restante do bico. Ele usa o pescoço como mola, além de saltos e deslocamentos para atacar costas, cabeça, asas e patas.

As patas também são usadas como parte das investidas, mas o estudo aponta que o bico remanescente é mais eficiente, respondendo por cerca de 73% dos ataques, enquanto os golpes com as patas representam 48%.

Os autores destacam que Bruce não é o único caso de liderança em um bando com deficiência. Embora existam exemplos em primatas, no kea o domínio costuma recair sobre um indivíduo de forma autônoma, com níveis de estresse entre os mais baixos do grupo.

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