- Pomada cicatrizante para cães e gatos, criada pela startup Cicapete no Acre, feita a partir de sangue de dragão e derivados da taboca amazônica.
- Resultados em testes laboratoriais e em animais indicam aceleração da cicatrização, com observação de processos em menos de quatorze dias.
- O projeto recebeu apoio do Sebrae, com aporte inicial de trinta mil reais para testes e estruturação da ideia.
- A expectativa é concluir a validação pelo Ministério da Agricultura e Pecuária até dezembro, incluindo certificação, transferência de tecnologia entre universidades e patenteamento.
- A iniciativa integra a bioeconomia da região, com foco em reflorestamento, cadeia produtiva sustentável e uso de matérias-primas de comunidades tradicionais e agricultores familiares.
A pomada cicatrizante para cães e gatos desenvolvida pela startup Cicapete, no Acre, usa ativos da Amazônia para acelerar a recuperação de feridas em pets. A novidade combina pesquisa acadêmica, empreendedorismo e biodiversidade brasileira, com apoio de laboratórios e comunidades locais.
A tecnologia foi apresentada no Bioeconomy Amazon Summit, em Belém, evento que reúne startups, pesquisadores, investidores e instituições da região. O objetivo é promover inovação na bioeconomia da Amazônia.
À frente do projeto está a fisioterapeuta Adna Maia, que já atuava com inovação na saúde antes mesmo do doutorado. O desenvolvimento nasceu de pesquisas sobre o chamado sangú de dragão e de derivados da taboca amazônica.
A ideia ganhou formato de produto com a consultoria do Sebrae, que orientou a transformar a linha de pesquisa em solução comercial para pets. O aporte inicial da parceria foi de 30 mil reais para testes laboratoriais e estruturação do projeto.
Após fases iniciais em ambiente controlado, os testes passaram para animais. Segundo a equipe, houve observação de cicatrização em menos de 14 dias durante as avaliações.
Além do sangüe de dragão, a fórmula utiliza derivados da taboca, como carboximetilcelulose base, visando sustentar a aplicação. A proposta é também impulsionar a economia de comunidades tradicionais e agricultores familiares ligadas à matéria-prima.
Adna destaca que a cadeia produtiva envolve comunidades e agricultura familiar, buscando valorizar famílias que dependem dessas plantas. A intenção é ampliar o papel da bioeconomia na região de forma sustentável.
O grupo trabalha em estratégias de reflorestamento para assegurar o fornecimento responsável dos ativos naturais usados na produção, com pesquisas voltadas ao manejo sustentável das plantas.
A expectativa é concluir, até dezembro, a validação junto ao Mapa, incluindo certificação, transferência de tecnologia entre universidades e patenteamento da fórmula. A equipe aponta a fase burocrática como o principal obstáculo atual.
A iniciativa integra a Rede Bionorte, programa de pós-graduação que aproxima ciência, biodiversidade e soluções aplicadas na Amazônia. A rede reúne pesquisadores, universidades e instituições da região.
Especialistas destacam que a parceria entre universidades, pesquisadores e empresas ainda é um desafio no Brasil, especialmente na bioeconomia. O caso da Cicapete é visto como exemplo de conexão entre ciência e mercado.
Entre os pesquisadores envolvidos está Marcelo Nunes, que coordena a pesquisa e atua com nanotecnologia aplicada a recursos amazônicos. A taboca já é estudada em outras áreas, como nanotubos de carbono e biomarcadores.
Os pesquisadores ressaltam a importância de desenvolver produtos a partir de recursos da floresta mantendo a floresta em pé, associando ciência de ponta a soluções reais para a população. A experiência da Cicapete é apresentada como modelo para a bioeconomia amazônica.
Entre na conversa da comunidade