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Sem árvores, cidades ficariam duas vezes mais quentes, segundo estudo global

Estudo global aponta que árvores reduzem quase metade da ilha de calor nas cidades, mas o efeito é desigual e não resolve o aquecimento até 2050

A cobertura arbórea atual e futura será capaz de mitigar apenas entre 9% e 10% do aumento de temperatura projetado pelas mudanças climáticas até 2050 (Leandro Fonseca/Exame)
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  • Estudo global da The Nature Conservancy analisou 9 mil cidades e 3,6 bilhões de pessoas, apontando que as árvores urbanas mitigam cerca de 48,6% do efeito ilha de calor.
  • Mais de 200 milhões de moradores vivem em bairros onde a temperatura do ar já é reduzida em pelo menos 0,5°C pelas árvores.
  • A distribuição da sombra é desigual: áreas de alta renda e bairros suburbanos concentram mais cobertura arbórea, enquanto comunidades vulneráveis ficam com menos sombra.
  • Até 2050, a cobertura arbórea atual e futura deve mitigar entre 9% e 10% do aumento de temperatura previsto; mesmo com plantio intensivo, o benefício sobe a cerca de 20%.
  • A pesquisa ressalta que árvores ajudam, mas não bastam; é necessário combinar arborização com outras estratégias para reduzir emissões e promover adaptação.

A cobertura arbórea em áreas urbanas tem impacto direto no aquecimento das cidades. Um estudo global liderado pela The Nature Conservancy analisou cerca de 9 mil municípios e mostrou que árvores urbanas reduzem quase pela metade o efeito de ilha de calor, mantendo as áreas urbanas consideravelmente mais frias do que seriam sem sombra verde. Sem árvores, as cidades teriam temperaturas significativamente mais altas.

A pesquisa, publicada na Nature Communications, abrange cidades onde vivem cerca de 3,6 bilhões de pessoas. Hoje, a arborização neutraliza roughly 48,6% do calor extra gerado por superfícies artificiais, como asfalto e concreto, que absorvem calor durante o dia e liberam à noite.

Mais de 200 milhões de moradores já percebem queda de temperatura de pelo menos 0,5°C em bairros com árvores. Esse benefício, somado a menor poluição do ar, pode evitar riscos à saúde em contextos de calor extremo. Contudo, o benefício não está distribuído de forma igual.

Desigualdade na distribuição da sombra

A maior parte da cobertura arbórea está em países de alta renda, climas úmidos e áreas suburbanas. Comunidades vulneráveis, principalmente em áreas densamente povoadas e de baixa renda, têm menos árvores e sofrem maior calor. A diferença de temperatura entre bairros pode ser significativa, mesmo dentro da mesma cidade.

O estudo ressalta que o efeito de resfriamento fica concentrado justamente onde a necessidade é menor. A arborização urbana, por si só, não basta para enfrentar o aumento previsto de temperatura até 2050. Mesmo com expansão, a mitigação estaria entre 9% e 10% do aquecimento projetado; no cenário mais intenso, esse percentual sobe para cerca de 20%.

Implicações para políticas públicas

A pesquisa indica que investir em árvores é essencial para adaptação ao calor, mas não pode substituir ações para reduzir emissões de gases de efeito estufa. A combinação de ampla arborização com medidas de eficiência energética, transporte e uso do solo é apontada como caminho para enfrentar ondas de calor com mais eficácia.

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