- Microplásticos são partículas de plástico com até cinco milímetros de diâmetro presentes na água, alimentos, roupas e no ar, que podem entrar no corpo por ingestão e inalação.
- As principais vias de exposição são água engarrafada, alimentos ultraprocessados, frutos do mar, poeira doméstica, ar urbano e fibras liberadas por tecidos sintéticos.
- Pesquisas associam microplásticos a inflamação, estresse oxidativo, alterações hormonais, disfunções metabólicas e possíveis impactos reprodutivos e cardiovasculares; ainda não há respostas definitivas sobre danos a curto, médio e longo prazo.
- Medidas para reduzir a exposição incluem evitar plásticos quentes no micro-ondas, usar utensílios de materiais alternativos, beber água filtrada, reduzir ultraprocessados e optar por fibras naturais na roupa.
- Em políticas públicas, recomenda-se reduzir plásticos descartáveis, regular aditivos e melhorar monitoramento de água, alimentos e embalagens, com maior controle de poluição plástica e apoio a pesquisas independentes de longo prazo.
O tema ganhou espaço na saúde ao lado do meio ambiente. Microplásticos estão presentes na água, na alimentação, nas roupas e no ar que respiramos. Partículas com até cinco milímetros, resultantes da degradação de plásticos ou fabricadas para uso industrial, chegam ao corpo por ingestão e inalação.
Estudos recentes identificam microplásticos e nanoplásticos em tecidos humanos, como sangue, pulmões e fígado. A circulação pode ocorrer pela corrente sanguínea, com impactos ainda em estudo. A exposição é ampla e, segundo especialistas, praticamente inevitável na vida moderna.
O que são microplásticos
São partículas de até 5 mm, invisíveis a olho nu. Em escala menor, recebem o rótulo de nanoplásticos. A origem vai desde a fragmentação de materiais até componentes intencionais de cosméticos e abrasivos.
Fontes e vias de entrada
Plásticos de garrafas, embalagens e roupas sintéticas figuram entre as principais fontes. Atração de calor, atrito, lavagem e desgaste ambiental aceleram a degradação. Ingestão de água, ultraprocessados e poeira doméstica são vias comuns de acesso.
Como entram no organismo
A ingestão e a inalação são as vias predominantes. Água, alimentos, frutos do mar, ar urbano e embalagens plásticas contribuem para a exposição. A absorção pela pele parece menor, mas ainda está em investigação. Nanoplásticos podem cruzar barreiras biológicas com maior facilidade.
Aplicação prática no cotidiano
Na cozinha, evitar aquecer alimentos em plásticos, trocar utensílios por madeira, vidro ou aço, e preferir água filtrada ajudam a reduzir a exposição. Em vestuários, optar por fibras naturais e lavar menos roupas sintéticas em água fria é recomendado.
Riscos e possíveis danos
Inflamação crônica, citotoxicidade e possível genotoxicidade são citados como potenciais efeitos. Desregulação hormonal por desreguladores presentes em plásticos pode afetar o sistema endócrino. Interesses cardiovasculares e respiratórios também aparecem em estudos.
Efeitos na fertilidade
Alguns estudos em animais indicam impactos em ovários, qualidade dos óvulos e hormônios. Em homens, há detecção de microplásticos no sêmen e possíveis efeitos sobre espermatogênese e inflamação testicular. Mais pesquisas são necessárias.
Políticas públicas
Especialistas defendem reduzir plástico descartável, restringir microplásticos intencionais e regular aditivos como bisfenóis e ftalatos. Testes padronizados em água, alimentos e embalagens, melhoria do tratamento de esgoto e incentivo a materiais reutilizáveis estão em pauta. A OMS aponta necessidade de monitoramento e redução da poluição plástica.
Palavras do especialista
Existe associação entre exposição a microplásticos e alterações metabólicas, como resistência à insulina e alterações da tireoide. Desreguladores endócrinos podem influenciar puberdade, menopausa e fertilidade, enquanto pesquisas discutem relação com obesidade. Fernanda Parra é médica formada pela Unicid, com atuação em endocrinologia.
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