- O radiotelescópio Bingo, instalado em Aguiar, na Paraíba, pode testar pela primeira vez ainda neste ano, com operação plena prevista apenas para o fim de 2027.
- O projeto é liderado no Brasil pelo Inpe, pela UFCG e pela USP, com participação internacional, e já recebeu apoio financeiro de várias instituições brasileiras, total estimado em cerca de R$ 35 milhões.
- A construção envolve mensagens de espelhos e a caracterização do receptor, com três protótipos de receptor em desenvolvimento em Inpe, UFCG e na China.
- Em 2025 houve atraso na importação de estruturas chinesas por questões de cotas fiscais, mas o problema foi resolvido sem usar a cota de isenção.
- O Bingo mira observar hidrogênio neutro com 14 cornetas independentes, cada uma com receptores e amplificadores, buscando registrar o céu em uma única faixa de observação sem movimento significativo.
O radiotelescópio Bingo, instalado no sertão da Paraíba, pode iniciar testes ainda neste ano, segundo um dos líderes do projeto. A operação plena está prevista apenas para 2027, com a montagem avançando na cidade de Aguiar, que tem pouco mais de 5 mil habitantes.
O projeto é internacional, com participação da China e do Reino Unido, entre outros parceiros. No Brasil, a liderança é compartilhada pelo Inpe, pela UFCG e pela USP, com apoio de diversas agências de fomento estaduais e federais.
Até o momento, a obra está em estágio de fundação, e o próximo passo envolve a instalação dos suportes dos espelhos que compõem o conjunto. A área já recebeu intervenções para estruturar a base do radiotelescópio.
A importação de componentes, no ano passado, enfrentou desafios ligados à isenção de impostos para materiais de pesquisa, situação que foi solucionada sem utilizar a cota. As negociações, no entanto, seguiram atentas às demandas de cada fornecedor.
O orçamento do Bingo é estimado em cerca de R$ 35 milhões, conforme declaração de Carlos Alexandre Wuensche, cientista do Inpe e líder do projeto. O funding envolve Fapesp, Governo da Paraíba, CNPq, Fapesq-PB, Finep e a Agência Espacial Brasileira.
A etapa atual concentra-se na caracterização do receptor do radiotelescópio, composto por um amplificador, um filtro e uma chave para reduzir ruídos. Cada corneta da estrutura terá três amplificadores, formando o coração do sistema.
Estudos apontam para três protótipos de receptor, desenvolvidos pelo Inpe, pela UFCG e por um projeto chinês parceiro. A intenção é testar os receptores em uma corneta antes de ampliar para as 14 estruturas, reduzindo riscos de falhas generalizadas.
Paralelamente, equipes trabalham no desenvolvimento de um software próprio para analisar os dados captados, processo ainda em fase de construção. A ideia é que o sistema permita integrar informações geradas por todas as cornetas.
A configuração prevista para Bingo evita movimentação da instalação. O objetivo é facilitar a construção, reduzir custos e manter o foco em uma região específica do céu, para capturar eventos transitórios com maior clareza.
Segundo os pesquisadores, cada corneta funciona de forma independente, escutando uma parte do céu. Ao final, as 14 leituras formam um mosaico que representa o céu observado pelo radiotelescópio.
A localização em Aguiar oferece isolamento sonoro natural, com morros ao redor que ajudam a reduzir interferências. O projeto demanda ainda logística para manter peças de reposição próximas, minimizando paralisações.
Entre os próximos passos, estão a conclusão da montagem civil, conclusão da instalação das primeiras corneta e entrada em fase de comissionamento da primeira unidade, com expectativa de iniciar testes ainda em 2026 e avanços contínuos em 2027.
O Bingo nasceu há mais de uma década, inicialmente com planos para uma mina de ouro abandonada no Uruguai. A escolha final de Aguiar ocorreu após a busca por local isolado para evitar ruídos que comprometam as leituras.
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