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Temperaturas em São Paulo superam média global do século passado, diz estudo

Temperaturas em São Paulo sobem muito acima da média global nos últimos 125 anos, associadas à ilha de calor urbana e à menor cobertura vegetal

Imagens da Cidade de São Paulo e Zoológico da Capital Paulista. Local: São Paulo/SP. Data: 27/03/2019.
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  • Em São Paulo, as temperaturas mínimas e máximas subiram muito acima da média mundial nos últimos 125 anos, conforme estudo da USP.
  • Dados do IPCC mostram aumento de 1,2 °C na temperatura global desde 1900, enquanto a cidade registrou 2,4 °C nas máximas diárias e 2,8 °C nas mínimas.
  • O aquecimento é associado à ilha de calor urbana, causada pela substituição de vegetação por construção, asfalto e concreto.
  • Em 70 cidades paulistas, uso de dados de satélite Landsat (2013 a 2025) revelou maior calor em áreas urbanas, com até 60 °C na superfície durante o verão e até 25 °C em áreas mais vegetadas.
  • No projeto Sampa Adapta, com 25 estações, ondas de calor deixaram tardes entre 30 °C e 34 °C e noites por volta de 28 °C; a vegetação pode reduzir a temperatura até 7 °C, configurando potencial efeito oásis.

A ciência aponta que a temperatura em São Paulo tem subido bem mais rápido que a média global. Pesquisadores da USP analisaram 125 anos de dados e registraram aumentos significativos tanto na temperatura mínima quanto na máxima da cidade.

Conforme o IPCC, a temperatura média global subiu cerca de 1,2 °C desde 1900. Em São Paulo, as máximas diárias avançaram 2,4 °C e as mínimas 2,8 °C no mesmo período, apresentando uma diferença marcante em relação à média mundial.

Essa diferença está associada ao fenômeno conhecido como ilha de calor urbana, que ocorre quando o ambiente construído substitui vegetação por asfalto e concreto, elevando as temperaturas locais.

Ilha de calor: distribuição e impactos

A equipe avaliou a relação entre ilha de calor e cobertura vegetal em 70 cidades paulistas, com dados de 2013 a 2025 obtidos via satélite Landsat. A região nordeste apresenta maior concentração de calor, especialmente onde há cultivo de cana-de-açúcar e alta densidade populacional.

Na Grande São Paulo, áreas mais quentes coincidem com maior densidade populacional, enquanto zonas com vegetação e água costumam apresentar menor aquecimento. Em verões, áreas críticas chegam a temperaturas de superfície próximas a 60 °C, semelhantes às de grandes galpões industriais.

Ondas de calor e potenciais soluções

O projeto Sampa Adapta, da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, mede temperaturas do ar na região metropolitana com 25 estações distribuídas em ruas, residências e escolas, além de pontos do CGE. Dados indicam que, nos últimos 15 anos, ondas de calor provocaram tardes mais quentes, entre 30 °C e 34 °C, e noites por volta de 28 °C.

Esse quadro evidencia riscos para a qualidade do sono e saúde, segundo pesquisadores. A revegetação urbana surge como resposta viável para reduzir o aquecimento local durante eventos extremos, com estimativas de queda de até 7 °C em áreas mais vegetadas.

Durante o painel promovido pela Fapesp e pela NWO, Thelma Krug enfatizou a necessidade de preparar cidades para cenários que podem superar 1,5 °C de aquecimento ainda neste século, e mencionou possibilidade de um relatório especial sobre cidades e mudanças climáticas para 2027.

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