Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

À venda: filhote de gibbon; provável morte da mãe por caçadores

Caso Chokdee, gibão-lar, evidencia o impacto do tráfico de animais exóticos: mãe morta, filhote resgatado e risco real de extinção para a espécie

Chokdee, a baby lar gibbon, was found alone by villagers in Chiang Mai province. Photograph: Ana Norman Bermúdez
0:00
Carregando...
0:00
  • Em Thailand, um filhote de gibbon lar (Hylobates lar) conhecido como Chokdee é cuidado por funcionários de um santuário, após ter sido encontrado sozinho na vila.
  • A mãe do filhote provavelmente foi morta durante a captura para o comércio ilegal de animais exóticos.
  • Gibbons são uma das famílias de primatas mais ameaçadas, com várias espécies em risco de extinção; a caça e a perda de habitat são os principais motivos.
  • O comércio ilegal de pets cresce, com mais de mil gibbons filhotes sendo traficados por meio da internet; no entanto, a captura causa mortalidade para várias outras aves e primatas.
  • A reabilitação de filhotes órfãos é difícil; muitas vezes não é possível devolvê-los à vida selvagem, agravando o impacto sobre as famílias e populações remanescentes.

O bebê gibbon Chokdee foi encontrado sozinho em uma vila do norte da Tailândia. Um oficial de vida silvestre do santuário Omkoi cuida dele desde o resgate, vestidos com roupas de bebê, em uma manhã fria. A mãe foi provavelmente morta pelos caçadores.

Chokdee é um lar gibbon (*Hylobates lar*), ainda sem o convívio da família. A administradora do santuário, Karin Hirankailas, afirma que ele foi mantido com cuidado especial e que, porém, o resgate sugere retirada de habitat original. A possibilidade é de que a mãe tenha sido assassinada.

Gibões são primatas pequenos e arborícolas, nativas das florestas úmidas do sudeste asiático. Segundo a IUCN, quase todas as espécies estão ameaçadas de extinção, com uma subespécie vulnerável e várias em estado grave. A caça para o comércio ilegal de animais de estimação é uma das principais ameaças.

A organização Traffic aponta que, em 2025, o número de gibões traficados apreendidos atingiu recorde, com a Tailândia entre os países mais impactados. Crianças e filhotes são alvo preferencial por serem considerados mais “inocentes” e fáceis de domesticar, segundo especialistas.

A pesquisadora Susan Cheyne, vice-presidente da seção de pequenos símios da IUCN, destaca que cerca de 70% dos gibões no comércio têm menos de dois anos. A prática favorece o tráfico de filhotes, mas causa perdas significativas para as famílias na vida silvestre.

A pesquisa de Chanpen Saralamba, bióloga da Mahidol University, acompanha famílias de gibões no parque nacional Khao Yai. As duplas de gibões mantêm laços fortes por meio de duetos de canto, que ajudam a delimitar território e manter o vínculo.

Ações de vigilância também revelam danos colaterais. Em Salawin, perto da fronteira com Mianmar, autoridades apreenderam o corpo de um gibão macho adulto, possivelmente morto para consumo ou remédios tradicionais. Outros animais também foram encontrados nas operações.

O impacto sobre as populações selvagens é ampliado pela reprodução lenta dos gibões. O lançamento de filhotes exige anos de cuidado, tornando difícil repor perdas de indivíduos adultos. A remoção de mães muitas vezes desestrutura famílias inteiras.

No santuário de Omkoi, Chokdee adormeceu sob um cobertor, com o dedo na boquinha. A reabilitação de gibões órfãos é difícil e raramente bem-sucedida, e o retorno à vida selvagem costuma ser improvável para casos como o dele.

Conservacionistas alertam que, sem medidas mais fortes contra a caça e o tráfico, o futuro dos gibões permanece sombrio. As particularidades dessas espécies — vínculos familiares, territorialidade e investimento no cuidado dos jovens — também aumentam a vulnerabilidade frente à violência do comércio ilegal.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais