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América Latina e Caribe aquecem mais rápido do que nunca, aponta a OMM

Relatório da Organização Meteorológica Mundial aponta aquecimento recorde na América Latina e Caribe desde 1900; México lidera com 0,34°C por década

Funcionário da Coordenadoria Geral de Obras de São Paulo se refresca durante dia de calor intenso na capital. — Foto: Marcos Serra Lima/g1
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  • Relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) aponta que o ritmo de aquecimento da América Latina e do Caribe desde 1900 é o mais rápido já registrado, com o período 1991‑2025 sendo o mais quente.
  • Na região, a temperatura aumenta 0,26°C por década na América do Sul e 0,25°C por década na América Central e no Caribe; o México lidera com 0,34°C por década.
  • A temperatura média da região em 2025 ficou entre a quinta e a oitava mais alta já registradas.
  • Em 2025 houve ondas de calor acima de 40°C; recordes incluem Mexicali, no México, com 52,7°C, Paraguai com 44,8°C e Rio de Janeiro com 44°C.
  • O aumento do nível do mar superou a média global e os impactos na saúde pública incluem estimated 13 mil mortes por ano associadas ao calor (em média de 2012 a 2021), com subnotificação ainda prevista.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) lançou o relatório Estado do Clima na América Latina e no Caribe, destacando o ritmo mais acelerado de aquecimento desde 1900. Entre 1991 e 2025, a região aqueceu 0,34°C por década, com México liderando o ranking.

Na América do Sul, as temperaturas sobem 0,26°C por década, e na América Central e no Caribe, 0,25°C. O México registrou o maior ritmo de aquecimento, mais que o triplo do observado entre 1961 e 1990. A temperatura média de 2025 ficou entre a quinta e a oitava mais alta já registradas.

O documento, apresentado nesta segunda-feira (18) em Brasília, no Ministério da Agricultura e Pecuária, conta com José Marengo como autor principal, climatologista do Cemaden. Celeste Saulo, da OMM, ressaltou sinais inequívocos de transformação climática na região.

Em 2025, ondas de calor acima de 40°C atingiram grandes áreas das Américas. Mexicali, no México, alcançou 52,7°C, recorde nacional; Paraguai teve 44,8°C em Mariscal Estigarribia; o Rio de Janeiro chegou a 44°C. A região ficou cerca de 0,40°C acima da média histórica.

As temperaturas da região superaram em parte a média global, elevando riscos de saúde. A OMM estima cerca de 13 mil mortes por calor anuais entre 2012 e 2021, ainda que reconheça subestimativa pela falta de dados sistemáticos.

Chuvas extremas e seca

O relatório aponta mudanças desfavoráveis nas chuvas ao redor do continente. Períodos secos ficaram mais longos, enquanto episódios de chuva, mais intensos, foram observados em várias áreas.

No Brasil, o Sul registra aumento de chuvas e enchentes frequentes, com impactos também no Uruguai e no norte da Argentina. O Nordeste aparece entre as regiões mais secas, junto ao Chile central e a parte da América Central.

Na Amazônia, o quadro é de maior variabilidade: secas mais longas, porém chuvas intensas em episódios; também houve maior frequência de secas no sul e leste da floresta. Em 2025, houve enchentes afetando mais de 110 mil pessoas no Peru e no Equador, em março.

Oceanos mais ácidos e mais altos

A costa latino-americana, que representa 8,8% do litoral mundial, recebe atenção à acidificação dos oceanos, com o pH da superfície em nível recorde baixo em áreas do Atlântico e Pacífico. Ondas de calor marinhas extremas ocorreram no Golfo do México, Caribe e costa chilena.

O nível do mar aumentou acima da média global em trechos do Atlântico tropical e do Caribe, elevando pressões sobre comunidades costeiras. A OMM reforça a necessidade de dados consistentes sobre mortes associadas ao calor e integração com sistemas de alerta.

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