- Carros modernos são conectados a sensores e podem coletar dados como localização exata, quem está no veículo, o que toca no rádio e comportamentos de direção, além de câmeras internas.
- Relatórios indicam que várias montadoras podem vender dados de motoristas e que a Mozilla avaliou políticas de privacidade negativas, destacando a falta de proteção eficaz.
- Nos EUA, não existe uma lei federal abrangente de privacidade para carros; proteções variam por estado e a prática de compartilhamento de dados é comum, com pouca transparência sobre quem compra os dados.
- A General Motors enfrentou investigação da FTC por vender dados de localização; a empresa foi proibida de vendê-los por cinco anos, com possibilidade de retomar sob consentimento explícito. LexisNexis e outras empresas continuam comercializando dados de veículos.
- Medidas para reduzir riscos incluem desativar telemetria de seguradoras, revisar configurações de privacidade no sistema do carro e aplicativos, e, no Brasil, considerar a LGPD; ainda assim, especialistas alertam que a proteção depende de regras mais claras.
Os carros modernos são verdadeiros computadores sobre rodas, capazes de coletar dados detalhados sobre a vida dos motoristas. Informações que vão desde locais percorridos até o comportamento ao volante estão entre os dados captados pelas montadoras e por aplicativos conectados ao veículo.
A prática é alvo de críticas e debates sobre privacidade. Pesquisas indicam que muitos motoristas não sabem que seus dados podem ser coletados, compartilhados e vendidos, gerando preocupações sobre uso indevido e segurança.
De acordo com avaliações independentes, as políticas de privacidade de várias montadoras permitem a coleta de informações sensíveis, como localização, hábitos de consumo, expressões faciais e até dados de saúde. A transparência ainda é questionada.
Dados em evidência
Estudos apontam que metade dos carros circulantes em 2021 já tinham conexão com a internet, com expectativa de chegar a 95% até 2030. Sensores e câmeras estão presentes em muitos modelos, registrando ações no interior e no entorno do veículo.
Relatórios de organização de defesa do consumidor indicam que nada menos que várias montadoras afirmam poder vender dados coletados. Em algumas políticas, há menção a compartilhamento com seguradoras, bancos de dados e terceiros, com consentimento implícito ao aceitar termos.
Casos e impactos
Caso recente envolve a GM, que enfrentou ações regulatórias por venda de geolocalização sem consentimento claro. A medida transita para restrições por cinco anos, com possibilidade de retorno mediante autorização explícita. Outras empresas também são alvo de escrutínio por práticas semelhantes.
Especialistas destacam que, além da privacidade, há impactos econômicos. Seguradoras podem usar dados de direção para reajustes de prêmio, com menos controle do consumidor sobre o destino dessas informações.
Regulamentação e medidas
Nos EUA, não há lei federal de proteção de dados automotivos, o que leva a um mosaico de normas estaduais. Na Europa, existem proteções específicas para dados sensíveis e direitos de acesso, alteração e exclusão. No Brasil, a LGPD oferece base para proteção de dados pessoais, inclusive em telemetria.
O que tem sido recomendado pelos especialistas é evitar participação em programas de telemetria de seguradoras, revisar configurações de privacidade nos sistemas do veículo e manter-se atento às políticas de privacidade ao configurar o carro. Medidas simples podem reduzir a exposição de dados.
O que você pode fazer
Usuários podem limitar coleta por meio de configurações do sistema multimídia ou apps conectados. Solicitar cópia dos dados, restringir venda a terceiros e optar pela exclusão de informações são passos possíveis em algumas regiões. A privacidade ainda depende de regras claras e fiscalização efetiva.
Empresas defendem que a coleta visa segurança e melhoria de serviços, enquanto especialistas alertam para o risco de uso indevido e de ganhos comerciais com dados sensíveis. O tema continua em debate entre consumidores, reguladores e a indústria automotiva.
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