- Ensaio clínico publicado na Jama Network Open aponta que dose única de psilocybin pode ser eficaz no tratamento da dependência de cocaína; 19 participantes que receberam psilocybin abstiveram-se mais da droga do que 17 que receberam placebo (difenidramina).
- Ambos os grupos trabalharam com um terapeuta para processar as experiências vividas durante o tratamento.
- O estudo não especifica aprovação pela FDA para medicamentos contra dependência de cocaína, e reforça que overdoses de estimulantes têm aumentado.
- Os autores destacam que a psilocibina pode funcionar como um catalisador terapêutico, promovendo mudanças de perspectiva com apenas uma sessão, em contexto psicoterapêutico estruturado.
- O trabalho é o primeiro ensaio clínico com psicodélicos a incluir maioria de participantes negros, sugerindo necessidade de mais pesquisas em diversas populações.
Dois grupos de participantes em um estudo clínico compararam os efeitos de uma única dose de psilocibina com placebo na abstinência de cocaína. O ensaio, publicado na Jama Network Open, avaliou 36 pessoas com transtorno por uso de cocaína. Ao final, 19 indivíduos que receberam psilocibina permaneceram sem cocaína, enquanto 17 que receberam placebo apresentaram menor abstinência. Todos os participantes fizeram acompanhamento terapêutico com um psicólogo durante o processo.
O estudo ocorreu em Birmingham, no estado do Alabama, nos Estados Unidos, com a participação de residentes que buscavam interromper o uso da droga. A dose única de psilocibina foi administrada dentro de um protocolo terapêutico estruturado, visando facilitar mudanças na percepção e no comportamento em conjunto com a terapia.
Segundo os pesquisadores, não havia medicações aprovadas pela FDA especificamente para dependência de cocaína ou de estimulantes como a metanfetamina. A pesquisa destaca a urgência de novas estratégias de tratamento e aponta que mortes associadas a estimulantes têm aumentado globalmente, conforme relatórios internacionais recentes.
Esclarecimentos sobre o mecanismo sugerido indicam que a psilocibina pode aumentar a neuroplasticidade e facilitar mudanças na forma de pensar, com efeito terapêutico em contextos controlados. Especialistas ressaltam que a psilocibina não funciona como medicação de manutenção, atuando mais como catalisador de mudanças durante a psicoterapia.
Alguns críticos discutem a generalizabilidade dos resultados, pois o estudo excluiu pessoas com depressão ou ansiedade concomitantes. No entanto, os autores destacam que a psilocibina tem potencial para tratar condições associadas a transtornos de humor, fortalecendo a ideia de abordagens psicoterapêuticas integradas.
O estudo também tem relevância demográfica ao incluir a maioria de participantes negros, destacando o interesse de ampliar a representatividade em pesquisas com psicodélicos. Pesquisadores observam que recrutamentos de ensaios costumam atingir populações com maior renda e maioria branca, mas a amostra deste trabalho refletiu um perfil diferente em relação ao uso de cocaína.
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