- O ebola circulou no Congo por semanas antes de o alerta ser emitido, com centenas de casos suspeitos e dezenas de mortes; a OMS declarou emergência de saúde pública internacional.
- O atraso no alerta em Ituri e a dificuldade inicial de identificar a variante atrasaram a resposta; amostras demoraram a chegar a Kinshasa e houve erros de teste entre as espécies.
- A variante em questão é Bundibugyo, para a qual não há vacinas nem tratamentos específicos, e os testes de campo são de difícil obtenção.
- Mongwalu, em Ituri, é o epicentro do surto, com a transmissão dificultada pelo deslocamento de pessoas e pela presença de conflitos na região; há casos também em Bunia, Aru, Goma e Kampala.
- Entre os casos confirmados está um médico americano; o número de mortes suspeitas em Ituri chega a 105, com relatos de mortes associadas a práticas funerárias inseguras.
O Ebola circulou no Congo por semanas antes de um alerta ser emitido, sinalizando um surto grave em Ituri, no leste do país, e em Uganda no fim da semana passada. Centenas de casos suspeitos e dezenas de mortes foram registrados antes da confirmação oficial.
O vírus identificado é a variante Bundibugyo, rara e sem vacinas específicas. A OMS declarou emergência de saúde pública de interesse internacional após o anúncio, já com transmissão ocorrendo há tempo.
Detalhes da demora no alerta
As autoridades de Ituri não emitiram o alerta aos primeiros sinais, o que atrasou a resposta. Amostras enviadas a Kinshasa demoraram a chegar para testes, prejudicando a confirmação do surto.
O monitoramento local já mostrava resultados conflitantes: equipamentos em Ituri detectavam apenas a variante Zaire, levando a negativos iniciais. Quando avaliadas em Kinshasa, as amostras mostraram Bundibugyo.
Casos confirmados e foco em Mongwalu
Entre os casos confirmados está o médico americano Peter Stafford, exposto ao vírus ao tratar pacientes em Nyankunde, perto de Bunia. A ONG Serge confirmou o caso, indicando exposição durante atendimentos hospitalares.
O epicentro estaria em Mongwalu, cidade de mineração de ouro, que está quase inacessível devido às chuvas e conflitos com milícias. Milhares de deslocados dificultam o rastreio de contatos.
Obstáculos e cenário atual
Em Mongwalu, relatos indicam que mortes já ocorreram com sinais de ebola, antes da confirmação oficial. A região depende de Bunia para suporte médico, tornando o rastreamento de contatos ainda mais complexo.
A confirmação ocorreu após amostras coletadas entre abril e maio serem encaminhadas a Kinshasa, revelando a Bundibugyo após testar também uma amostra de Rwampara, que inicialmente deu negativo.
Situação regional e contexto de resposta
Ao todo, Uganda reporta casos próximos à fronteira e a cidade de Goma, no Congo, registra casos suspeitos. Ruanda fechou a fronteira com o Congo; cinco países da região intensificaram triagens de viajantes.
A OMS sustenta que o atraso na detecção pode ter potencial catastrófico, dada a ausência de vacinas para Bundibugyo e a dificuldade de diagnóstico em campo. A situação permanece sob monitoramento contínuo.
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