- Entre janeiro e abril de dois mil e vinte e seis, incêndios queimaram cento e cinquenta milhões de hectares no mundo, metade a mais que a média dos últimos treze anos e o dobro do mesmo período em dois mil e vinte e quatro.
- África concentrou a maior parte das queimadas, com oitenta e cinco milhões de hectares até abril, cem por cento acima do recorde anterior, com subnotificação possível em muitos países.
- Na Ásia, quarenta e quatro milhões de hectares foram queimados, cerca de quarenta por cento a mais que no mesmo período de dois mil e vinte e cinco, com grandes focos em Laos, Mianmar, Tailândia, nordeste da China e Índia.
- Nas Américas, os Estados Unidos tiveram área queimada quase o dobro do recorde anterior para o mesmo período; Canadá iniciou a temporada de incêndios mais cedo, com evacuações em Colúmbia Britânica e Alberta; no Chile e Brasil e Argentina houve impactos significativos, com mortes, deslocamentos e evacuações na Patagônia.
- O El Niño pode ampliar o risco, especialmente no segundo semestre, somando-se ao aquecimento global; no Brasil, focos de incêndio na Amazônia subiram cinquenta e um por cento em vinte e seis, comparado a vinte e cinco, com aumentos expressivos no Pantanal.
Entre janeiro e abril de 2026, incêndios florestais somaram 150 milhões de hectares no mundo, 50% acima da média dos últimos 13 anos e o dobro do mesmo período de 2024. O dado faz parte de um relatório da Rede Mundial de Atribuição (WWA) e aponta para um possível ano global de queimadas intenso.
A África concentrou a maior área queimada no período, com 85 milhões de ha, 23% acima do recorde anterior. Países como Gâmbia, Senegal e Nigéria registraram focos significativos, ainda que haja subnotificação em várias nações do continente, o que pode subestimar o quadro real.
A Ásia aparece em segundo lugar, com 44 milhões de hectares queimados, quase 40% a mais que no mesmo intervalo de 2025. Laos, Mianmar, Tailândia, China e Índia registraram os maiores focos, em meio a temperaturas altas que chegaram a 46°C em abril.
América do Norte e Sul: impactos e recordes
Nos Estados Unidos, a área queimada no início de 2026 quase dobrou o recorde anterior para o período, registrado em 2022, com calor extremo de março e seca severa. A análise da WWA aponta que o calor extremo em março tornou-se cerca de sete vezes mais provável por causa das mudanças climáticas, elevando o risco de incêndios no continente.
No Canadá, a temporada de incêndios começou cedo, com a Colúmbia Britânica e Alberta concentrando os maiores números de focos ativos, além de evacuações em várias regiões. Moradores relataram saídas rápidas diante de fogo fora de controle.
Na América do Sul, Chile e Argentina tiveram atividades intensas. No Chile, pelo menos 20 pessoas morreram e mais de 52 mil foram deslocadas, com mil casas destruídas em janeiro. Na Patagônia argentina, cerca de 3 mil pessoas, incluindo turistas, precisaram deixar suas residências.
Oceania e outras regiões
Na Austrália, o calor extremo e a seca prolongada estenderam a temporada de incêndios para além do usual, iniciando em 2025 e se intensificando no começo de 2026, conforme o serviço Copernicus da União Europeia.
Para o secretário-executivo da ONU Mudanças Climáticas, Simon Stiell, o aquecimento global alimenta a crise, com impactos sobre orçamento público, oferta de alimentos e preços. Em nota, ele ressaltou que o aumento de queimadas está ligado às emissões de carvão, petróleo e gás natural.
El Niño pode intensificar o risco, ainda que haja ambiguidade quanto à sua intensidade. A WWA aponta que o fenômeno pode elevar eventos de calor extremo no segundo semestre e aumentar condições de calor e seca na Austrália, EUA e Amazônia, mesmo sem confirmação de um super El Niño.
Especialistas destacam que o El Niño não muda o essencial: as mudanças climáticas agravam o problema enquanto não houver redução no uso de combustíveis fósseis. A orientação é manter ações de mitigação e adaptação já conhecidas, com foco em manejo de biomas e proteção de comunidades vulneráveis.
No Brasil, o INPE aponta aumento de focos de incêndio na Amazônia em 51% de janeiro a 13 de maio de 2026 comparado ao mesmo período de 2025. O Pantanal teve alta de 132%, a Caatinga 14% e a Mata Atlântica 1%. O Ministério do Meio Ambiente já discutiu riscos com base no El Niño entre outubro e novembro, período crítico para áreas como Pantanal, Cerrado e leste da Amazônia.
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