- Ju Massaoka descobriu uso de PMMA sem consentimento durante rinoplastia antiga; material foi removido e a cirurgia precisou de reconstrução com enxerto da costela.
- A descoberta ocorreu durante um procedimento para corrigir desvio de septo; a operação ficou mais delicada e exigiu reconstrução da região.
- A SBCP reforçou a posição contrária ao PMMA em procedimentos estéticos e reconstrutores, citando segurança, gravidade das complicações e falta de evidências.
- A entidade informou ter encaminhado o tema à Anvisa para banimento do produto; o debate também ocorre na Câmara dos Deputados.
- O PMMA é permanente, registrado como dispositivo de risco máximo; pode causar inchaço, inflamação, reações alérgicas, necrose e outras complicações, sobretudo quando aplicado por profissionais não habilitados.
Ju Massaoka, jornalista do programa Mais Você, revelou que encontrou polimetilmetacrilato (PMMA) em rinoplastia antiga realizada sem seu consentimento. A descoberta ocorreu durante uma nova cirurgia, inicialmente para corrigir desvio de septo.
A equipe médica identificou o material e precisou removê-lo, o que tornou o procedimento mais complexo. Houve reconstrução do nariz com enxerto retirado da costela, após avaliação de danos causados pelo PMMA.
Massaoka permanece em tratamento, com sessões de câmara hiperbárica e drenagem linfática, devido a risco de necrose e dificuldades de cicatrização.
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) reiterou posição contrária ao uso do PMMA em procedimentos estéticos ou reconstrutores. A SBCP afirma que não recomenda a utilização da substância por cirurgiões plásticos em nenhuma circunstância.
Segundo a SBCP, as preocupações envolvem segurança do paciente, gravidade de complicações e, principalmente, a ausência de evidências científicas que sustentem o uso estético do PMMA.
A entidade informou ter se manifestado junto à Anvisa, defendendo o banimento do produto, e aponta que indicações aprovadas no Brasil vão contra o entendimento técnico da especialidade. O tema também é discutido na Câmara dos Deputados.
O que é o PMMA?
O PMMA é material plástico usado em várias áreas da saúde e da indústria. Dependendo do processamento, pode constar de lentes de contato, implantes esofágicos e cimento ortopédico. Na estética, é aplicado como microesferas, em formato de gel, para preenchimento.
No Brasil, produtos à base de PMMA exigem registro na Anvisa e são classificados como dispositivos de risco máximo. O material é permanente, sem absorção pelo organismo, o que aumenta a complexidade de eventuais intercorrências.
Indicações autorizadas incluem correção de volume facial e corporal, quando houve sequelas de doenças como poliomielite, e correção de lipodistrófia associada ao uso de antirretrovirais em pacientes com HIV.
Mesmo nessas situações, podem ocorrer complicações imediatas ou tardias, como inchaço, inflamação, reações alérgicas e formação de granulomas. A SBCP alerta para aumento de problemas quando profissionais não habilitados realizam aplicações.
“Com a atuação de profissionais não médicos e novas áreas de tratamento, observa-se elevação de casos de necrose de pele, perda de visão, alterações neurológicas e até mortes”, afirma a entidade.
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