- Celesc, em parceria com a UFSC, desenvolve o Celesc Energia a Bordo, um “power bank” móvel que reaproveita baterias de veículos elétricos em um semirreboque com STAEB.
- As baterias usadas possuem entre 70% e 80% da capacidade original, caracterizando a segunda vida antes da destinação final.
- O protótipo tem 150 kW de potência e 430 kWh de armazenamento, capaz de abastecer cerca de 100 casas por um dia ou até 10 casas por uma semana.
- O sistema pode operar em baixa tensão (220/380 V) ou média tensão (13,8 kV) e é instalado em um semirreboque desenvolvido pela Truckvan, com tecnologia embarcada pela WEG.
- O projeto, financiado pela Aneel, está em fase de testes de desempenho e envolve 19 pesquisadores da UFSC, 5 profissionais da Celesc e resultados já geram dissertações, teses e artigos acadêmicos.
O Celesc Energia a Bordo, um projeto desenvolvido pela Celesc em parceria com a UFSC, transforma baterias de segunda vida de veículos elétricos em um power bank móvel. O protótipo, instalado em um semirreboque, funciona como um Sistema Transportável de Armazenamento de Energia em Baterias, o STAEB, para atender a rede em situações de manutenção, emergência ou picos de demanda.
As baterias usadas preservam entre 70% e 80% da capacidade original, o que permite reaproveitar parte da energia antes do descarte. O objetivo é testar se esse recurso móvel pode sustentar a rede de baixa e média tensão, conectando-se a 220/380 V ou 13,8 kV por meio de transformador.
O projeto surge num momento em que o uso de veículos elétricos cresce no Brasil. Dados da NeoCharge, citados pela Celesc, indicam aumento da frota de 2.875 carros em 2015 para 613.389 no ano anterior; em Santa Catarina houve salto de 223 para 40.487 veículos no mesmo período.
Sustentabilidade com mobilidade
A solução se distingue por deslocar o armazenamento de energia até o local da necessidade, em vez de depender de infraestrutura fixa. O STAEB pode abastecer cerca de 100 residências por um dia, ou 10 casas por uma semana, conforme o consumo regional.
O projeto também aborda a destinação final das baterias. Embora novas, as baterias de automóveis custodiadas para o fim de vida exigem manejo adequado devido a químicos e metais. Estimativas internacionais apontam o acúmulo de mais de 20 milhões de toneladas de baterias descartadas até 2040.
Estrutura, testes e parcerias
O semirreboque foi desenvolvido pela Truckvan, enquanto a parte tecnológica embarcada é da WEG. O protótipo tem potência de 150 kW e armazenamento de 430 kWh, com autonomia de cerca de três horas, dependendo do consumo. O CELESC Energia a Bordo opera em redes de baixa e média tensão.
O projeto recebe apoio da Aneel, por meio do Programa de P&D, no âmbito do edital 05697-0323/2023. A UFSC coordena pesquisas com o Laboratório Fotovoltaica, liderado pela professora Helena Flávia Naspolini, reunindo 19 pesquisadores e cinco profissionais da Celesc.
Desdobramentos e impacto técnico
A iniciativa busca validar o desempenho das baterias reaproveitadas e orientar futuras ampliações. Segundo o gerente do projeto, Leonardo Freire Pacheco, a bateria deixa de ser apenas usada no veículo e passa a cumprir função na infraestrutura energética.
A estrutura mecânica do STAEB foi concebida para integração com redes locais. A Celesc destaca que o sistema pode operar em situações de manutenção programada, reduzindo desligamentos para consumidores, e em emergências como temporais ou rompimentos de rede.
Perspectivas acadêmicas e institucionais
O projeto já gerou produção acadêmica relevante: quatro dissertações de mestrado, duas teses de doutorado e mais uma dissertação de mestrado em andamento. Foram apresentados seis artigos em congressos internacionais e três nacionais, além de submissões a revistas internacionais.
O CELESC Energia a Bordo já foi finalistado em prêmios de inovação e deve ser novamente submetido a reconhecimentos futuros. A coordenação envolve o engenheiro Leonardo Pacheco, com apoio de Helena Naspolini e Débora Simoni Ramlow, da Celesc, além de pesquisadores da UFSC.
Futuro e objetivos
Para a Celesc, o projeto integra transição energética, economia circular e segurança da rede. A readequação de baterias ajuda a ampliar a vida útil dos materiais e a reduzir o descarte precoce, gerando valor prático para o sistema elétrico e para a sociedade.
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