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Projeto Rita mapeia DNA da microbiota vaginal no Brasil

Projeto Rita mapeia DNA da microbiota vaginal brasileira com autocoleta e sequenciamento, buscando padrões de Lactobacillus e fatores socioculturais

A microbiota vaginal representa o conjunto de microrganismos que habitam a vagina, impedindo que agentes patogênicos se proliferem - Foto: atlascompany/Magnific
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  • O Projeto Rita, inspirado no estudo Isala, mapeará a microbiota vaginal brasileira por meio de autocoleta de amostras e sequenciamento de DNA, envolvendo voluntárias de diversas regiões.
  • A meta é obter cinco mil amostras, incluindo mulheres de povos originários e de quilombolas, e validar o cadastro com um Comitê de Ética em Pesquisa (CEP).
  • As participantes receberão um kit de autocoleta, e as amostras serão enviadas ao centro de pesquisa do Instituto de Ciências Biomédicas da USP para análise genética.
  • O projeto ainda busca financiamento para compra dos kits coletores e depende de redes colaboradoras para ampliar a divulgação e a participação em todo o país.
  • A pesquisa pretende identificar quais espécies de Lactobacillus predominam no DNA brasileiro e relacionar fatores sociodemográficos, estilo de vida e anticoncepção a padrões da microbiota, com potencial impacto em políticas públicas e tratamentos.

O projeto Rita chega ao Brasil com o objetivo de mapear a microbiota vaginal por meio de autocoleta e sequenciamento de DNA. A iniciativa nasce do estudo Isala, criado na Bélgica e que se transformou em rede global de 20 países. A ideia é compreender como fatores sociodemográficos e de saúde influenciam a microbiota feminina.

A equipe define que a pesquisa poderá revelar quais microrganismos predominam na vagina brasileira e como isso se relaciona com saúde e tratamentos. A coleta envolve as próprias pacientes, que enviam as amostras ao centro de pesquisa do ICB da USP.

A Isala já mapeou mais de 10 mil mulheres e envolve participação cidadã em diversas fases do estudo. A expansão para o Brasil busca ampliar o conhecimento sobre a microbiota nacional e as suas variações regionais.

Participantes e alcance

As voluntárias receberão kits para autocoleta e encaminharão as amostras ao Instituto de Ciências Biomédicas. A meta é coletar 5 mil amostras, abrangendo povos originários e comunidades quilombolas. O objetivo é representar a diversidade brasileira.

A coordenação ressalta que, sem os kits, o projeto não avança nem recebe participantes. Paralelamente, já funciona um Comitê de Ética em Pesquisa para assegurar os interesses dos voluntários, conforme a Lei nº 14.874.

A iniciativa também avança com divulgação em redes sociais, buscando informação científica confiável sobre a saúde da mulher. O Instagram @projeto.rita_isala serve como canal de curiosidades e conteúdos educativos.

Para ampliar o alcance, Carla Taddei reforça a necessidade de redes colaboradoras que incluam diferentes estados do país. O objetivo é chegar ao Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul, com apoio logístico local.

O que se busca entender

Embora muitas bactérias sejam benéficas, algumas protegem o ambiente vaginal ao impedir invasões de patógenos. A equipe pretende identificar, entre as espécies de lactobacilos, qual predomina no DNA brasileiro e como isso varia por região.

O estudo utiliza técnicas de sequenciamento para detectar toda a comunidade bacteriana presente em cada amostra. A partir disso, será possível medir a quantidade de lactobacilos e as espécies associadas.

Nathalia Naspolini, pesquisadora e integrante do projeto, destaca que as voluntárias responderão a um questionário para mapear padrões sociodemográficos, estilo de vida e alimentação, correlacionando-os com a microbiota.

Impactos esperados

A pesquisa pretende apoiar estratégias de prevenção e autocuidado em saúde da mulher. Com dados sobre a microbiota, pode haver orientação para tratamentos mais eficientes e personalizados, levando em conta a diversidade entre indivíduos.

A líder do projeto, Carla Taddei, comenta que o conhecimento pode abrir caminhos para políticas públicas mais alinhadas com a realidade brasileira. O estudo também avalia a possibilidade de rastreamento adicional de HPV.

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