- A Organização Mundial da Saúde declarou no domingo emergência de saúde pública de interesse internacional por surto de Ebola no nordeste da República Democrática do Congo, com cerca de 350 casos suspeitos e 91 mortes.
- O surto envolve a cepa Bundibugyo e pode ter circulado sem detecção por semanas, evidenciando dificuldades de identificar vírus letais em áreas com malária e outras febres comuns.
- Uganda confirmou duas infecções, incluindo uma morte em Kampala; também houve registro de um caso em Goma, cidade no leste sob controle de grupos insurgentes.
- Não há vacina nem tratamento aprovado específico para a Bundibugyo; os sintomas iniciais podem confundir com doenças febris, atrasando o diagnóstico.
- A OMS ressalta incerteza sobre a dimensão real do surto e orienta aumentar diagnósticos específicos, coordenação internacional e resposta rápida.
O surto de Ebola Bundibugyo no nordeste da República Democrática do Congo deixou 91 mortos e originou cerca de 350 casos suspeitos, segundo o governo. A OMS elevou o caso a emergência de saúde pública de interesse internacional.
Casos foram detectados em Uganda, com duas infecções, incluindo uma morte em Kampala. Além disso, um novo caso foi registrado em Goma, na fronteira leste, controlada pelo grupo M23. O epicentro é Bunia, em Ituri, onde a transmissão pode ter começado em abril.
O primeiro possível paciente no Congo foi uma enfermeira de Bunia com sintomas em 24 de abril, conforme Jean Kaseya, diretor dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças. A cepa Bundibugyo é pouco estudada e não possui vacina disponível.
Desafios de detecção e diagnóstico
A ausência de vacina e a semelhança de sintomas com malária dificultam o reconhecimento rápido. Testes rápidos tendem a não detectar com confiabilidade a Bundibugyo, agravando atrasos no isolamento e rastreamento de contatos.
A OMS justificou a declaração de emergência citando disseminação transfronteiriça, mortes sem explicação e incertezas sobre a dimensão real. A resposta busca financiamento, coordenação e ações emergenciais.
Contexto regional e impactos
O Congo enfrenta surtos febris recorrentes, com profissionais de saúde também adoecendo. Infraestrutura precária e mobilidade populacional elevam riscos de transmissão em área sujeita a conflitos. Ainda há casos sob investigação nas províncias de Ituri e Kivu do Norte.
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