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Brasil envelhece: impactos demográficos e econômicos em pauta

Até 2029, Brasil terá mais idosos que jovens; especialistas defendem políticas integradas de educação, saúde e emprego para aproveitar janelas demográficas

Algumas capitais do Sul e do Sudeste do país já têm mais idosos do que jovens, de acordo com o último Censo Demográfico
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  • Em 2029, o Brasil deve ter mais idosos (60 anos ou mais) do que jovens, com 40,1 milhões contra 39,2 milhões de pessoas com menos de 15 anos.
  • No Censo de 2022, Rio Grande do Sul tem 115 idosos para cada 100 jovens; Rio de Janeiro, 106.
  • Capitais do Sul e Sudeste já registram mais idosos do que jovens, sendo Porto Alegre a mais envelhecida (137 idosos por 100 jovens) e São Paulo com 103 para 100.
  • O Estatuto do Idoso considera idoso quem tem 60 anos ou mais; o primeiro bônus demográfico está próximo do fim, encerrando no fim desta década ou no início da seguinte.
  • Mesmo com desafios, há oportunidades: segundo bônus (produtividade) e terceiro bônus (longevidade) dependem de políticas de educação, saúde, emprego, previdência e infraestrutura para manter jovens e idosos ativos.

O Brasil está passando por uma mudança demográfica acelerada. Em 2029, a população com 60 anos ou mais deve superar o contingente de jovens, segundo estimativas do IBGE com base no Censo Demográfico de 2022. O processo traz desafios, mas também oportunidades de desenvolvimento.

Conforme o levantamento, dois estados já apresentam relação de idosos sobre jovens acima de 14 anos: Rio Grande do Sul, com 115 idosos para cada 100 jovens, e Rio de Janeiro, com 106. Capitais do Sul e Sudeste também mostram a tendência, destacando Porto Alegre (137) e São Paulo (103) nesse indicador.

A projeção de 2029 aponta 40,1 milhões de idosos no Brasil, ante 39,2 milhões de jovens com menos de 15 anos. O envelhecimento populacional é visto por especialistas como uma fase que requer planejamento amplo, não apenas para a população idosa, mas para toda a sociedade.

Envelhecimento e cenários

José Eustáquio Diniz Alves, demógrafo, afirma que o Brasil vive o que chama de século do envelhecimento. A previsão é de que o país envelheça mais lentamente que a China e o Japão, porém mais rápido do que boa parte da Europa e da média mundial. Ele lembra que o processo começou antes de ocorrer o enriquecimento.

Segundo Alves, a fronteira entre ações acomodadas e políticas proativas está ligada ao investimento na primeira infância. Um pré-natal bem conduzido, educação de qualidade e inserção no mercado de trabalho são determinantes para um idoso ativo no futuro. Política de envelhecimento envolve ações para todas as fases.

Perspectivas econômicas

O demógrafo aponta que o Brasil já vive a redução do primeiro bônus demográfico, que favorece o crescimento econômico pela maior parcela de trabalhadores ativos. Ainda assim, ele aponta janelas futuras: o segundo, ligado à produtividade, e o terceiro, relacionado à longevidade com vida saudável.

Como exemplo, Alves cita a Polônia: mesmo com queda populacional, a renda per capita cresceu, destacando que bem‑estar depende de investimentos em educação, infraestrutura, inovação e governança estável. Ele reforça que o envelhecimento não impede avanços se houver políticas consistentes.

Caminhos para o futuro

Especialistas defendem que o êxito depende de políticas integradas: educação, saúde, previdência, moradia e inclusão no trabalho. Para manter idosos ativos, é necessário manter jovens saudáveis e qualificados, com educação e oportunidades ao longo da vida. O objetivo é reduzir o ônus da estagnação.

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