- Cemaden aponta que modelos internacionais indicam a possibilidade de El Niño forte ou muito forte entre 2026 e 2027, com aumento de riscos de eventos extremos no Brasil, mas sem tratar como previsão fechada e com alta incerteza no longo prazo.
- Projeções de ECMWF, NOAA e serviço meteorológico da Austrália sugerem aquecimento das águas do Pacífico tropical; algumas simulações chegam a indicar El Niño mais forte da história, porém com baixa confiabilidade na fase longa.
- As previsões não devem indicar eventos específicos; elas sinalizam tendências de chuva acima ou abaixo da média e de temperaturas acima ou abaixo do normal.
- Existe chamada de “barreira de previsibilidade”: previsões iniciadas em maio perdem confiabilidade rápido, e nenhuma categoria de intensidade (fraco, moderado, forte ou muito forte) passa de 37% de probabilidade.
- Para o Brasil, há possibilidade de Norte e Nordeste enfrentarem menos chuvas e mais calor; Sul, com maior chance de chuvas intensas; RS com sinal de maior risco hidrológico, além de risco de enchentes, deslizamentos e incêndios em áreas associadas ao aquecimento global.
O Cemaden informou que modelos climáticos internacionais sinalizam a possibilidade de um El Niño forte ou muito forte entre 2026 e 2027. A nota técnica não funciona como uma previsão fechada, aponta elevada incerteza para períodos mais longos.
Pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) assinam o documento, que foi enviado à Casa Civil e ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O texto ressalta que ainda há limitações nas projeções de longo prazo.
O estudo também destaca que, mesmo com sinais trocados entre organizações internacionais, não é possível confirmar com confiabilidade o pico do fenômeno. As projeções ajudam, porém, a orientar monitoramento, preparação e planejamento diante da incerteza.
Barreira de previsibilidade
A nota aponta que previsões iniciadas em maio perdem rapidamente confiabilidade, devido à barreira de previsibilidade típica do sistema oceano-atmosfera. Em março a maio ocorre uma transição no Pacífico que complica a identificação de sinais de El Niño ou La Niña.
A NOAA, agência norte-americana, ainda aponta incerteza substancial sobre a intensidade do eventual pico. Atualmente, nenhuma categoria de intensidade supera 37% de probabilidade, segundo o Cemaden.
Impactos esperados no Brasil
Caso o cenário se confirme, o Brasil pode enfrentar redução de chuvas e elevação de temperaturas no Norte e Nordeste, aumentando o risco de seca. No Sul, o documento aponta maior probabilidade de chuvas intensas e persistentes entre a primavera e o verão.
O Rio Grande do Sul aparece como estado com sinal robusto de aumento de risco hidrológico, com possibilidade de enchentes e deslizamentos em áreas como Serra Gaúcha e Porto Alegre. Santa Catarina e Paraná também podem registrar elevações de eventos extremos de chuva, com variações regionais.
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