- Daniel Goleman, conhecido como pai da inteligência emocional, participou do São Paulo Innovation Week (SPIW) ao lado de Marcelo Gleiser, incluindo uma meditação coletiva de um minuto.
- O painel destacou que a principal batalha futura é manter a atenção diante da tecnologia e da IA, sugerindo práticas como meditação e exercícios de respiração.
- Gleiser afirmou que algoritmos visam captar a atenção e a afeição das pessoas, e que líderes precisam persuadir e criar conexões, não apenas ter boa ideia técnica.
- Goleman listou quatro pilares da inteligência emocional: autoconsciência, autogerenciamento, empatia e habilidade de relacionamento, destacando a diferença entre empatia cognitiva e preocupação genuína.
- A meditação foi apresentada como treino de atenção que fortalece o foco e o sistema nervoso, com a visão de que a IA não desenvolve resiliência ou consciência; o SPIW recebeu mais de dois mil palestrantes.
Daniel Goleman, conhecido por popularizar o conceito de inteligência emocional, participou do São Paulo Innovation Week (SPIW) nesta terça-feira, 13, no Pacaembu e na FAAP. O encontro reuniu o psicólogo norte-americano ao físico Marcelo Gleiser, em uma das plenárias mais esperadas do primeiro dia do festival promovido pelo Estadão e pela Base Eventos. O objetivo foi discutir como manter a atenção em meio à influência crescente da inteligência artificial.
A dupla manteve o foco na necessidade de práticas de atenção para enfrentar distrações promovidas pela tecnologia. Em tom pragmático, foi sugerida uma meditação coletiva de um minuto como resposta a um futuro em que a IA domina boa parte do ambiente digital. Gleiser e Goleman defenderam que a liderança eficaz depende de habilidades interpessoais como persuasão, empatia e abertura para novas ideias dentro das equipes.
Os pilares da inteligência emocional
Goleman apresentou os quatro pilares que estruturam a inteligência emocional: autoconsciência, autogerenciamento, empatia e habilidade de relacionamento. A primeira dimensão envolve reconhecer os próprios sentimentos e compreender como eles influenciam decisões. O autogerenciamento aborda controle emocional, adaptabilidade e otimismo.
No debate sobre IA, o psicólogo diferenciou empatia cognitiva de preocupação genuína com o outro. Segundo ele, a IA é capaz de imitar empatia cognitiva, identificando padrões emocionais, mas não possui uma bússola ética, nem a dimensão de verdadeira preocupação humana. A fala reforçou a ideia de que tecnologia pode simular sentimentos, mas não desenvolverá cuidado autêntico.
Meditação como recurso contra distrações
Durante a sessão, a meditação foi apresentada como prática para fortalecer o foco e o sistema nervoso. Goleman definiu resiliência como tempo de recuperação de situações de estresse, destacando que a prática constante facilita o controle emocional. Gleiser complementou afirmando que a IA não gera estados de consciência ou criatividade humanos.
Goleman ressaltou ainda que, mesmo com IA programada para não se distrair, isso não se traduz em resiliência ou consciência. A conversa destacou que a prática meditativa envolve aprendizado difícil de expressar tecnicamente, com benefícios ligados à redução do ego e a uma percepção menos centrada no individual.
Implicações para o mundo corporativo
Ao encerrar, Goleman afirmou que líderes emocionalmente equilibrados influenciam o comportamento das equipes. Em sua visão, a capacidade de persuasão é tão relevante quanto o conhecimento técnico. O debate enfatizou que a IA não substitui habilidades humanas únicas, como o estabelecimento de relações e a prática meditativa coletiva.
O SPIW, maior festival global de tecnologia e inovação, segue até sexta-feira, reunindo mais de 2 mil palestrantes de áreas como ciência, saúde, educação, finanças e sustentabilidade. O evento ocorre no Pacaembu e na FAAP, com realização conjunta do Estadão e da Base Eventos. As discussões buscam entender o papel da inteligência emocional em um cenário de rápidas transformações tecnológicas. Fonte: Estadão.
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