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Indústria alimentícia observa usuários de canetas emagrecedoras

Indústria alimentícia ajusta portfólios para usuários de canetas emagrecedoras, priorizando proteína, fibra e menor densidade calórica

Kraft Heinz Brasil investiu R$ 50 milhões para lançar no país o Ketchup Heinz Zero, com zero adição de açúcares, 50% menos calorias e 25% menos sódio que a versão tradicional — Foto: Arte/Época NEGÓCIOS
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  • 11% das pessoas no mundo já usaram canetas emagrecedoras neste ano; no Brasil, 33% dos domicílios têm pelo menos um morador que já utilizou ou usa esses medicamentos.
  • A redução do apetite tem levado a mudanças no que as pessoas comem, pressionando a indústria a reformular produtos com maior proteína e fibra e menor densidade calórica.
  • A Nestlé lançou, nos EUA, a linha Vital Pursuit, voltada a apoiar usuários de fármacos GLP-1 e consumidores que buscam controle de peso, com foco em proteína e fibra.
  • No Brasil, Vida Veg e M. Dias Branco (Jasmine) já apresentam itens com maior aporte proteico e de fibras; feira Naturaltech 2026 deve apresentar mais lançamentos com esse perfil.
  • A Kraft Heinz Brasil investiu R$ 50 milhões no Ketchup Heinz Zero, e a empresa destaca que, globalmente, mais de mil receitas foram reformuladas nos últimos cinco anos para aumentar proteínas e fibras e reduzir açúcar, sódio e gordura.

A indústria de alimentos acelera a reformulação de produtos diante do crescimento do uso de canetas emagrecedoras como Ozempic e Wegovy. Globalmente, 11% da população já utilizou esses medicamentos, segundo a pesquisa Consumer Pulse 2026 da Bain & Company. No Brasil, 33% dos domicílios têm morador que já usou ou usa.

A redução de apetite provocada pelos fármacos está alterando hábitos alimentares e abrindo espaço para itens com maior proteína, fibras e menor densidade calórica. A indústria atua reformulando portfólios, ajustando fórmulas e procurando atender esse novo público.

Durval Ribas Filho, presidente da Abran, aponta que a perda de massa magra pode ocorrer com o emagrecimento. Por isso, incentivar a proteína é prioridade para preservar ou ganhar massa muscular durante o uso dessas medicações.

A recomendação proteica aumenta em dietas restritivas: de 0,8–1 g/kg/d para cerca de 2 g/kg/d entre usuários de GLP-1, conforme o especialista. A suplementação proteica surge como alternativa em muitos casos.

Fibra também é tema relevante: dietas com ingestão de 25–35 g/d podem ficar abaixo das necessidades em regimes de 1.500 kcal/d. A indústria vê espaço para alimentos com alto teor de fibra como suporte ao consumo reduzido.

Avanços globais e mercado norte-americano

A Nestlé lançou no exterior a linha Vital Pursuit, com refeições congeladas voltadas a usuários de GLP-1 e ao controle de peso. Muitos alimentos no mercado americano chegam com o selo GLP-1 friendly para ampliar visibilidade e vendas.

No Brasil, a tendência ganha corpo com empresas locais. A Vida Veg apresenta iogurtes Veg Protein, Veg Veg Zero e proteína culinária com alto teor proteico e de fibra. Em junho, a empresa planeja ampliar ofertas com mais seis SKUs.

A Vida Veg projeta que esses itens representem 25% da receita, segundo o CEO Álvaro Gazolla. Ele afirma que há mudança de comportamento: consumidores buscam proteínas de qualidade e densidade nutricional superior.

A Jasmine, da M. Dias Branco, também atua nesse movimento. Lançamentos de granola premium chegam com até 19 g de proteína por porção. A diretora de Marketing, Anna Carolina Teixeira, aponta que o público demanda alimentos que conciliem bem-estar, sabor e valor nutricional.

A Kraft Heinz Brasil investiu em um ketchup com menor teor calórico. O Heinz Zero traz zero adição de açúcares, 50% menos calorias e 25% menos sódio. A empresa ressalta que, globalmente, mais de mil receitas foram reformuladas para incluir proteína e fibra.

Segundo Thiago Lopes, CMO da Kraft Heinz Brasil, o público brasileiro está mais criterioso. Dados indicam que 82% lêem rótulos e 59% buscam alimentação equilibrada. A empresa vê o lançamento como parte de uma estratégia global de portfólio mais saudável.

O movimento de inclusão de proteína, fibra e menor densidade calórica acompanha a demanda por bem-estar sem abrir mão do sabor. As reformulações ganham espaço em mercados nacionais e internacionais, com foco em nutrientes funcionais.

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