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Poluição luminosa cresce e impõe riscos à saúde e ao ambiente

Poluição luminosa global subiu 16% entre 2014 e 2022, afetando saúde e fauna; Europa avança com leis de escurecimento noturno

Cidades grandes, como Frankfurt, tendem a sofrer mais com a poluição luminosa
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  • Emissões globais de luz aumentaram 16% entre 2014 e 2022, e a intensidade da luz artificial subiu, em média, 9%.
  • Noites mais claras afetam humanos e fauna: podem desequilibrar sono, hormônios e favorecer diabetes, depressão e obesidade; também prejudicam aves, insetos e mamíferos noturnos.
  • Europeus apresentam queda na radiação luminosa desde 2014 (–4% na intensidade), com redução de área em França (–33%), Reino Unido (–22%) e Holanda (–21%).
  • França e outros países europeus adotaram leis para “escurecer” as noites, como desligar iluminação de fachadas até 1h; República Tcheca, Eslovênia e Fulda, na Alemanha, já implementam regras desde cedo.
  • Recomendações atuais: iluminar apenas o necessário, usar luz mais quente (≤ 3 mil kelvin) e combinar postes com sensores de movimento para reduzir a poluição luminosa.

Emissões globais de luz cresceram 16% entre 2014 e 2022, aponta estudo realizado nos EUA. A intensidade da iluminação artificial aumentou 9% no mesmo período. O aumento ocorre principalmente em áreas urbanas, com mais fontes no espaço público.

A pesquisa aponta que faróis de veículos, vitrines e outdoors contribuem para a poluição luminosa. A cidade de Berlim chegou a criar a iniciativa Berlin Werbefrei, mas a campanha não conseguiu reduzir parte das peças publicitárias nas ruas.

A poluição luminosa pode desequilibrar o sono humano e a hormonal, elevando o risco de diabetes, depressão e obesidade. Luz mais branca e azulada tem efeito mais intenso sobre a melatonina, hormônio ligado ao sono.

Além do impacto humano, o ambiente natural sofre. Aves migratórias perdem referências de orientação, o que pode levar a trajetos mais longos. Insetos noturnos são atraídos por luz artificial e acabam morrendo em grande escala.

Impactos na fauna e no ecossistema

Calor mais intenso de iluminação artificial desorganiza aves, insetos e mamíferos noturnos. Algumas espécies de peixe enfrentam barreiras luminosas que dificultam migrações e reprodução. Tais efeitos reduzem a biodiversidade em várias regiões.

Onde houve aumento e onde houve queda

O estudo identifica maior incremento na iluminação noturna na Ásia, com destaque para China e Índia. Nos EUA, costa Oeste ficou mais iluminada, enquanto costa Leste e Centro-Oeste registraram queda.

Na Europa, houve redução de intensidade luminosa em 4% desde 2014, com quedas significativas na França, Reino Unido e Holanda. Os pesquisadores associam esse recuo a políticas públicas, não apenas ao desempenho econômico.

Leis e boas práticas para reduzir a poluição

A França adotou normas que determinam o desligamento de iluminação comercial até 1h da manhã. A República Tcheca implementou a primeira lei mundial de controle em 2002, limitando iluminação para baixo e aplicando multas.

A Eslovênia estabeleceu em 2007 limites de consumo de luz por habitante, com regras para evitar iluminação excessiva de fachadas e ruas. Tais medidas mostraram resultados em diversas regiões.

Exemplos de atuação local

Na Alemanha, falhas nacionais levaram a adoção de leis estaduais para reduzir a poluição luminosa. Em Fulda, iluminação pública mudou para soluções pontuais, com sensores de movimento que elevam a luz apenas quando há circulação.

Essa abordagem rendeu à cidade o reconhecimento da International Dark Sky Association em 2019 como uma “cidade das estrelas”. A ideia é iluminar apenas o que é essencial, favorecendo o céu noturno.

Recomendações para iluminação externa

Especialistas sugerem manter a temperatura de cor da iluminação externa até 3 mil Kelvin. Luminárias com sensores de movimento evitam acendimento contínuo, reduzindo desperdício e impactos no ambiente.

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