- Sargento Sérgio Mota da Silva, aos 28 anos, observou, pouco depois das 18h de 19 de maio de 1986, um ponto luminoso diferente no setor noroeste do aeródromo de São José dos Campos (SP).
- Iniciou-se uma cadeia de diálogos entre controladores, pilotos civis e militares, com Brasília, sobre o avistamento de ao menos 21 óvnis em quatro estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Minas Gerais.
- Objetos teriam diâmetros de até cem metros e foram detectados por radares do Centro Integrado de Defesa Aérea e de Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta); houve a participação de cinco aviões da Força Aérea Brasileira em perseguição.
- O episódio ficou conhecido como a Noite Oficial dos Óvnis, com áudios de diálogos disponíveis no Arquivo Nacional e repercussão na imprensa.
- Quarenta anos depois, Mota afirma lembrar de detalhes da noite, incluindo interações com caças e com autoridades, e orienta como acessar os documentos no Sistema de Informação do Arquivo Nacional (Sian).
Pouco depois das 18h de 19 de maio de 1986, o sargento Sergio Mota da Silva, então com 28 anos, monitorava a decolagem de um voo da Rio-Sul no aeroporto de São José dos Campos (SP). Ao observar um ponto luminoso diferente, acionou a torre de Guarulhos para confirmar se havia registro de outra coisa no radar.
A partir daí, abriram-se diálogos entre controladores de voos, pilotos civis e militares, além da Defesa Aérea, sobre a detecção de ao menos 21 objetos voadores não identificados em quatro estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Minas Gerais. Alguns objetos teriam diâmetro de cerca de 100 metros e foram vistos por radares do CinDacta.
O episódio ficou conhecido como a Noite Oficial dos Óvnis e é considerado sem precedentes por ufólogos. Ao longo da noite, caças da FAB decolaram para perseguir os objetos, com relatos de interações entre controladores, pilotos e militares, conforme áudios disponíveis no Arquivo Nacional.
O que foi avistado e como foi registrado
Segundo relatos, os objetos apresentaram variações de velocidade entre subsônica e supersônica, além de acelerarem de forma abrupta. Havia mudanças de altitude e curvas com raios constantes ou indefinidos. As luzes variavam entre brancas, verdes, vermelhas e laranja, ou apareciam sem indicação luminosa.
Os objetos eram descritos como sólidos, com capacidade de acompanhar observadores e manter distância, voando em formação em alguns momentos. Em São José dos Campos, Mota afirmou ter observado três objetos próximos à pista, com interação parcialmente perceptível pelas luzes de balizamento.
Participantes e desdobramentos da época
Entre os envolvidos estavam o então coronel Ozires Silva, que viajava de São José dos Campos a Brasília e acompanhou a situação; pilotos da FAB, que subiram para perseguir os objetos; e controladores de tráfego de São José dos Campos, São Paulo e Brasília. Ozires e o comandante Alcir Pereira da Silva tentaram acompanhar os objetos por quase 30 minutos.
As gravações com os diálogos entre controladores, pilotos e autoridades da Defesa Aérea foram reunidas em oito fitas cassete disponíveis no Arquivo Nacional desde 2015, com trechos que aparecem em reportagens e livros sobre o tema.
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