- Pesquisadores sugerem que iscas das fêmeas de peixe-pescador evoluíram para atrair não apenas presas, mas também parceiros.
- Estudo aponta que os primeiros peixes com iscas surgiram há aproximadamente 72 milhões de anos e, cerca de 40 milhões de anos depois, apareceram várias espécies bioluminescentes.
- Análise de mais de cem espécies, com comparação de corpos preservados e DNA, permitiu construir uma árvore genealógica da família e entender a diversidade das iscas.
- Grupos bioluminescentes estão se diversificando mais rápido, sugerindo que as iscas luminosas ajudam na diferenciação entre espécies e no acasalamento.
- Os pesquisadores destacam que as iscas fornecem evidências importantes para calibrar a árvore evolutiva e que o ambiente profundo, escuro e frio favorece essa estratégia de sinalização.
O que aconteceu: pesquisadores revisitaram a evolução das iscas de fêmeas de peixe-pescador, descobrindo que elas evoluíram não apenas para capturar presas, mas também para atrair parceiros. O estudo aponta uma linha temporal de 72 milhões de anos. A conclusão veio de análises em museus e não de observação direta no oceano.
Quem envolve: os cientistas Alex Maile, PhD candidate, e Matthew Davis, da Universidade Estadual de St. Cloud, conduziram o trabalho. O estudo faz parte de uma colaboração entre pesquisadores de museus e universidades, com apoio de uma revisão de mais de cem espécies.
Quando e onde ocorreu: os fósseis e exemplares preservados foram avaliados por meio de coleções museumísticas, nos Estados Unidos. A pesquisa foi publicada no final de março na revista Ichthyology and Herpetology.
Por quê: a dúvida central era entender por que as iscas apresentam tamanhos e formas tão variados. A hipótese é que as fêmeas usam as iscas para obter alimento e também para facilitar o acasalamento, em um ambiente oceânico profundo e pouco iluminado.
Descobertas principais
A árvore genealógica construída a partir de corpos preservados e DNA de diversas espécies indica que as iscas brilhantes teriam surgido para ampliar as funções de comunicação entre pares. A diversidade de formatos parece ter contribuído para a diferenciação entre espécies.
Os primeiros peixes-pescadores com iscas teriam surgido há cerca de 72 milhões de anos. Naquele período, as iscas não devem ter emitido luz, mas cerca de 40 milhões de anos depois muitos exemplares evoluíram para serem bioluminescentes.
A bioluminescência parece ter ajudado a ampliar a diversidade de formas de isca. Estudos indicam que grupos bioluminescentes divergem mais rapidamente que os não luminescentes, sugerindo uma relação entre luz, nutrição e reprodução.
Segundo especialistas, esse conjunto de evidências a partir de fósseis e peças de museu permite calibrar a linha do tempo de surgimento de traços evolutivos. A iluminação das iscas pode ter papel duplo: atrair presas e facilitar encontros reprodutivos.
Pesquisadores destacam que observar peixes-pescadores em seu ambiente natural é desafiador. Muitos exemplares são raros e vivem em águas profundas, o que torna o trabalho dependente de material preservado para traçar as mudanças evolutivas.
Entre na conversa da comunidade