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Neandertais na Alemanha tinham fábrica de gordura há 125 mil anos

Neandertais em Neumark-Nord processavam ossos para extrair gordura há cerca de 125 mil anos, indicando planejamento e organização sofisticados

Fragmentos ósseos e sílex revelam área de trabalho neandertal
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  • Descoberta em Neumark-Nord, Alemanha central, indica que neandertais tinham uma fábrica de gordura há cerca de 125 mil anos, processando ossos de grandes animais.
  • Sítio mostra área dedicada de cerca de 50 metros quadrados com aproximadamente 120 mil fragmentos de osso, mais de 16.500 artefatos de pedra e sinais de uso de fogo.
  • Processo identificado envolve quebrar ossos longos com martelos de pedra e aquecer fragmentos em água para liberar gordura óssea, com uso provável de materiais orgânicos como casca de bétula.
  • Estudo publicado em Science Advances em 2 de julho de 2025 revela evidências de processamento de pelo menos 172 grandes mamíferos, incluindo cavalos, cervos e auroques.
  • A pesquisa sugere planejamento, coordenação e organização social entre neandertais há 125 mil anos, reforçando uma visão mais complexa de sua inteligência e manejo de recursos.

Os neandertais teriam operado uma fábrica de gordura há cerca de 125 mil anos, em Neumark-Nord, Alemanha. A evidência indica uma organização sofisticada para quebrar ossos, aquecer fragmentos e extrair gordura de grandes animais caçados. O achado desafia a imagem de grupos primitivos.

A descoberta foi publicada em 2 de julho de 2025 na revista Science Advances. O estudo aponta que ossos longos e ricos em medula eram selecionados, fragmentados e submetidos a processos que liberariam gordura de alto valor calórico, após uso de calor.

O sítio fica no sul de Halle, em uma paisagem de lagos da época. Vestígios indicam uma área dedicada a processamento, com concentração de artefatos e restos de animais, sugerindo uma prática repetida e planejada.

O que foi encontrado no sítio de Neumark-Nord

Pesquisadores do MONREPOS, em parceria com a Universidade de Leiden e outras instituições, identificaram indícios de processamento sistemático de ossos. Aproximadamente 120 mil fragmentos ósseos foram encontrados, com muitos quebras em pedaços pequenos.

Além disso, foram localizados mais de 16.500 artefatos de pedra, incluindo lascas de sílex usadas no processamento. Restos de fogo, carvão e rochas aquecidas sinalizam uso de calor durante as atividades.

A área de tarefa ocupava cerca de 50 metros quadrados, com alta concentração de ossos de pelo menos 172 grandes animais, o que é incomum para um único ponto de processamento.

Como os neandertais extraíam gordura dos ossos

A hipótese central descreve uma sequência: seleção de ossos longos, quebra com martelos de pedra e exposição a calor para liberar a gordura óssea. A gordura seria coletada após o resfriamento, sem recipientes preservados no local.

Os pesquisadores sugerem o uso de materiais orgânicos, como casca de bétula, para facilitar a extração. A prática de fervura direta não foi observada nos ossos, mas é inferida a partir do padrão de fragmentação e da presença de fogo.

Qual o impacto da descoberta

Antes, a extração de gordura óssea em larga escala era associada ao Homo sapiens no Paleolítico Superior, há cerca de 28 mil anos. Em Neumark-Nord, o comportamento aparece muito mais antigo.

A leitura sugere manejo sofisticado de recursos, com caça organizada, transporte de carcaças e processamento em área específica. Isso amplia o entendimento sobre planejamento e cooperação entre grupos neandertais.

Contexto e reconhecimento científico

O estudo envolve o MONREPOS e o Leibniz Zentrum für Archäologie, em cooperação com a Universidade de Leiden e o Escritório Estadual de Gestão do Patrimônio e Arqueologia da Saxônia-Anhalt. O trabalho reforça o potencial organizacional dos neandertais.

A pesquisa reforça que o passado humano inclui capacidades de planejamento, memória de território e divisão de tarefas. A descoberta adiciona uma camada ao debates sobre a inteligência e o comportamento coletivo dos neandertais.

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