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Primeira mulher trans a fazer redesignação sexual no país morre aos 80 anos

Primeira mulher trans a realizar redesignação sexual no Brasil morre aos 80 anos, marco histórico para a medicina e a pauta trans

Waldirene foi a primeira pessoa no Brasil a realizar a cirurgia de redesignação sexual.
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  • Waldirene Nogueira, primeira mulher trans a realizar redesignação sexual no Brasil, morreu aos 80 anos nesta terça-feira (19), em Ubatuba, no litoral paulista.
  • Realizou a cirurgia em 1971, ainda durante o período militar, tornando-se símbolo relevante na história da população trans.
  • O caso gerou controvérsia na época: o Procurador de Justiça de São Paulo a denunciou por mutilação genital, levando a uma investigação contra o médico Farina em 1976.
  • Em fevereiro de 1976 Waldirene passou por avaliação no Instituto Médico Legal, e o Ministério Público chegou a apresentar denúncia contrária à existência da mulher trans; Farina foi condenado em primeira instância e absolvido em 1979.
  • O Núcleo TransUnifesp homenageou Waldirene, destacando sua luta diante do aparato estatal; o velório ocorre em Lins e o enterro será no Cemitério da Saudade.

Waldirene Nogueira, primeira mulher trans a realizar redesignação sexual no Brasil, morreu aos 80 anos nesta terça-feira (19), em Ubatuba, no litoral paulista. A informação foi confirmada pela família. O velório ocorre a partir das 8h no Memorial Santa Izabel, em Lins, e o enterro está marcado para as 17h no Cemitério da Saudade, também em Lins. A causa da morte não foi informada.

Nascida em 1945, em Lins (SP), Waldirene realizou a cirurgia de redesignação aos 26 anos, em 1971, com o médico Roberto Farina. O caso ganhou repercussão após ser denunciado pelo então Procurador de Justiça de São Paulo, Luiz de Mello Kujawski, sob a acusação de mutilação genital.

Segundo registros da época, a denúncia veio após uma matéria do jornal O Estado de S. Paulo, que cobriu um congresso de urologia em que Farina apresentou o estudo de caso. Kujawski afirmou que o procedimento configurava violência e abriu processo contra o médico em 1976.

Waldirene foi convocada a realizar uma avaliação sobre sua condição física no IML, em fevereiro de 1976, com diversos exames para comprovar sua identidade de mulher. O laudo reconheceu características femininas e masculinas no corpo, mas promotor Messias Piva manteve a denúncia de lesão corporal grave.

O caso chegou a ser tratado como crime de lesão corporal de natureza gravíssima. Farina foi condenado em primeira instância, porém absolvido em 1979, após defesa baseada em literatura médico-científica que reconhecia a existência de corpos trans e a transição de gênero.

Histórico da cirurgia e reconhecimento

Waldirene é lembrada como símbolo de resistência para pessoas trans que enfrentam violência cotidiana. Em nota de pesar, o Núcleo TransUnifesp, ligado à Unifesp, destacou a defesa da dignidade promovida pela então pioneira. A instituição ressaltou o impacto histórico de sua trajetória.

Processo e repercussões legais

O episódio também é visto como marco de debates sobre a legalidade de procedimentos de redesignação, bem como sobre o papel do aparato estatal na vida de pessoas trans naquele período. A história ocorreu sob o regime militar e contribuiu para discussões futuras sobre direitos de saúde e identidade de gênero.

Legado

Pesquisadores e instituições de pesquisa sobre pessoas trans lembram Waldirene como referência histórica da luta por reconhecimento e direitos. A cobertura de sua vida é apresentada como parte essencial da memória do movimento trans brasileiro.

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