- O Brasil abriga a segunda maior reserva declarada de terras raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas, equivalente a aproximadamente 23% das reservas globais.
- O país tem produção e exportação limitadas: apenas uma mina em Minaçu, Goiás, opera em escala industrial; exportações entre janeiro e junho do ano passado somaram 7,5 milhões de dólares.
- Países como Estados Unidos e União Europeia demonstram interesse em reduzir a dependência da China, que domina exploração e refino; em Minaçu, a mineradora Serra Verde é líder no Brasil e foi adquirida pela norte-americana USA Rare Earth por 2,8 bilhões de dólares.
- A maioria dos projetos ainda está em exploração ou estágio inicial; há surgimento de demanda prevista pela Agência Internacional de Energia, que pode crescer até 2030, mas o mercado global continua relativamente pequeno.
- Há preocupações socioambientais e de soberania nacional, com debates sobre como ampliar o valor agregado no Brasil e proteger comunidades e territórios, especialmente em áreas indígenas e quilombolas.
O Brasil abriga a segunda maior reserva declarada de terras raras do mundo, posição que pode alterar o cenário geopolítico do setor. A presença de 21 milhões de toneladas mapeadas indica potencial para ampliar participação brasileira na cadeia produtiva. A estimativa vem do USGS, citada pelo SGB.
Ainda assim, o país produz pouco. Há apenas uma mina em operação com escala industrial, em Minaçu (GO), operada pela Serra Verde. Em 2023, exportações de terras raras somaram pouco mais de 7,5 milhões de dólares no primeiro semestre, levantamento da ANM citado pelo Valor Econômico aponta.
O total das exportações minerais brasileiras no período chegou a 20 bilhões de dólares, segundo o Ibram. A produção completa envolve desafios tecnológicos, logísticos e ambientais, além de dependência de etapas que ocorrem fora do Brasil.
Panorama atual das reservas
Brasil tem 10 depósitos identificados em quatro estados, com menos de um terço do território estudado. O material inclui os 17 elementos conhecidos como terras raras, fundamentais para smartphones, IA, veículos elétricos e energia renovável.
A concentração de depósitos no Brasil é associada à argila iônica, encontrada em quase dois terços dos pontos estudados. A tecnologia ajuda a extrair e concentrar os ETRs de forma mais eficiente, ampliando o interesse de investidores internacionais.
Interesses internacionais e investimentos
Os Estados Unidos e a União Europeia manifestaram interesse em diversificar a cadeia de suprimentos, reduzindo dependência da China. A China detém grande parte da produção e do refino global de ETRs. O Brasil é visto como possível fornecedor estratégico ocidental.
Em Minaçu, a mina operada pela Serra Verde recebeu aquisição recente pela USAR, por cerca de 2,8 bilhões de dólares, com apoio de investidores americanos. Goiás já firmou memorando com os EUA para promover pesquisa e mineração de minerais críticos.
Desafios e impactos
Especialistas ressaltam que ampliar a atuação envolve riscos socioambientais e impactos sobre comunidades locais. A avaliação de projetos ainda está em fase inicial e envolve incertezas sobre consulta a povos tradicionais.
A soberania sobre reservas também é tema de debate no país, com propostas para ampliar o valor agregado nacional na cadeia de produção, não apenas exportar minério bruto. Analistas defendem foco em desenvolvimento produtivo integrado.
Perspectivas regulatórias
Este mês a Câmara aprovou um marco legal para minerais críticos e estratégicos, incluindo terras raras, com metas de estímulo ao setor. Críticos destacam a necessidade de proteção de terras indígenas e consulta prévia a comunidades afetadas.
Especialistas avaliam que o avanço regulatório pode acelerar pesquisas e parcerias internacionais, desde que acompanhado de salvaguardas ambientais e sociais. O objetivo é equilibrar exploração com responsabilidade.
Olhar para o futuro
A expectativa é que a demanda global por ETR possa crescer até 2030, conforme projeções da AIE. No entanto, a dinâmica ainda depende de evolução tecnológica, custo de produção e políticas públicas que promovam produção local com ganhos socioeconômicos.
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