- Pesquisa publicada na Scientific Reports monitorou 37 pontos na Grande Pirâmide e mostrou que a estrutura vibra entre 2 e 2,6 Hz, diferente do solo ao redor.
- Essa diferença envolve menos energia sísmica absorvida pela pirâmide, reduzindo a possibilidade de ressônia durante tremores.
- Fatores como o formato robusto, a massa e o sistema de distribuição de peso contribuem para a estabilidade do monumento.
- Cavidades no interior, acima do espaço funerário, parecem dissipar vibrações sísmicas, ajudando a reduzir impactos.
- Os autores sugerem que entender esse comportamento pode influenciar projetos de engenharia que buscam durabilidade a longo prazo.
A Grande Pirâmide de Gizé, no Egito, pode ter resistido a terremotos por milênios devido a características arquitetônicas únicas. Um estudo, publicado nesta quinta-feira na Scientific Reports, aponta que a pirâmide vibra em frequências diferentes do solo ao redor, reduzindo a absorção de energia sísmica. A combinação de formato robusto e distribuição de peso ajuda a manter a estabilidade.
Pesquisadores monitoraram vibrações em 37 pontos dentro e ao redor da pirâmide, aproveitando perturbações naturais causadas por ondas oceânicas distantes, trânsito e atividades humanas. Em cerca de 75% dos pontos, as oscilações internas ficam entre 2 e 2,6 Hz, enquanto o solo registra pouco mais de 0,5 Hz.
Essa diferença de frequências impede a ocorrência de ressonância, um efeito que pode amplificar danos em estruturas durante tremores. O estudo sustenta que, sem essa coincidência de frequências, a energia sísmica não se acumula de forma tão intensa na construção.
Contribuições internas e o peso da massa
Entre os achados, destaca-se a presença de câmaras de alívio de pressão acima do espaço funerário. Antes vistas apenas como redistribuidoras do peso, essas cavidades podem dissipar vibrações sísmicas, reduzindo a intensidade das oscilações internas.
O comportamento da pirâmide também é influenciado pela distribuição de massa e pela rigidez estrutural. A geometria maciça, aliada à compartimentação interna, ajuda a conter oscilações nos níveis superiores, mantendo o monumento estável mesmo diante de terremotos moderados.
Implicações para a engenharia
Os autores não afirmam que os egípcios possuíam conhecimento de dinâmica sísmica, mas ressaltam que escolhas estruturais inteligentes produziram um monumento resiliente. O estudo reforça que o Egito antigo combinava função política, religiosa e arquitetura avançada.
A pesquisa pode orientar a engenharia contemporânea, buscando soluções que privilegiem a diferença de frequências entre estruturas e solo. O objetivo é projetar edificações que possam durar centenas ou milhares de anos, mantendo integridade em tremores.
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