- LIFEPLAN expande monitoramento de biodiversidade para além de poucas espécies-chave, incluindo artrópodes, fungos e várias formas de vida em Madagascar e ao redor do mundo.
- Em Madagascar, o projeto abrange mais de cinquenta locais, com comunidades locais operando ferramentas de coleta como armadilhas de insetos, câmeras e gravadores de áudio.
- Dados gerados envolvem milhões de imagens, milhares de amostras de solo e de fungos, além de registros de áudio que ajudam a mapear a diversidade de forma mais abrangente.
- Descobertas indicam que mecanismos que explicam a diversidade de vertebrados nem sempre explicam a diversidade de artrópodes e fungos, o que impacta planos de conservação.
- A partir dessas evidências, pesquisadores priorizam áreas de floresta distantes de proteções existentes para capturar a maior parte da diversidade de insetos, com estimativas de custo e duração para estabelecer monitoramento contínuo.
Dimby Raharinjanahary, biólogo de conservação, dedicou anos a observar Madagascar, contando lemures, aves e outros animais. Entre 2012 e 2018, foi chefe de monitoramento de parques nacionais, quando o acompanhamento se baseava em poucas espécies indicadoras.
Conservação dependia de espécies-alvo. Se não as via, o ecossistema parecia degradado. Hoje, Raharinjanahary atua no Madagascar Biodiversity Center e integra o LIFEPLAN, iniciativa que amplia o monitoramento para além de poucos grupos.
LIFEPLAN coordena uma rede global em 83 locais para acompanhar artrópodes, fungos, mamíferos e aves. A base é o Insect Biome Atlas, lançado entre 2019 e 2020, ampliando para várias espécies e regiões ao longo do tempo.
Construindo uma visão global da biodiversidade
O projeto usa métodos idênticos, com amostragens contínuas, para comparar padrões de biodiversidade entre continentes e entender impactos climáticos e humanos. Até agora, registrou milhões de registros multimídia e amostras diversas.
Segundo Tomas Roslin, ecologista da Universidade de Ciências Agrícolas da Suécia, muitos taxa são desconhecidos. A diversidade de artrópodes responde mais à distância geográfica do que ao clima, o que desafia estratégias únicas para grupos diferentes.
Entre os resultados, estima-se que Madagascar tenha cerca de 255 mil espécies de artrópodes. Futuros estudos avaliam se padrões que explicam vertebrados valem para invertebrados e fungos noizes.
Planejamento de conservação orientado por dados
Em Madagascar, mais de 50 locais foram usados para mapear a diversidade ao longo do gradiente climático. Comunidades locais apoiaram a instalação de armadilhas, câmeras, gravadores e coletores de solo e de aerossóis.
Fisher, da California Academy of Sciences, afirma que a proteção precisa considerar a diversidade de insetos separadamente. Em locais distantes, até dois terços das espécies não se repetem, reforçando a necessidade de áreas prioritárias.
A modelagem identificou 50 áreas-alvo com maior potencial de abrigar espécies não representadas na rede de unidades protegidas. A meta é ampliar a cobertura de forma estratégica, não apenas ampliar fronteiras.
Perspectivas de monitoramento a longo prazo
A implementação de um sistema de biomonitoramento estável exige recursos e tempo. Estimativas apontam custo anual de 75 mil a 150 mil dólares para 10 locais cobertos ao longo de cinco anos, com dados consistentes.
O investimento humano é central, com técnicos locais operando equipamentos, coletando amostras e mantendo a rotina de monitoramento. Mudanças significativas podem levar 10 a 15 anos para serem detectadas.
Raharinjanahary ressalta que as metodologias LIFEPLAN devem sustentar o monitoramento por meio de parcerias entre parques nacionais, ONGs e empresas. O objetivo é avaliar não apenas o crescimento de árvores, mas a recuperação da biodiversidade.
Citations: Hardwick et al. LIFEPLAN: A worldwide biodiversity sampling design; Ovaskainen et al. CORAL; Miraldo et al. Insect Biome Atlas; Ovaskainen et al. Global Spore Sampling Project.
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