- Um comprimido diário de daraxonrasib, destinado a câncer de pâncreas metastático já tratado quimioterapia, dobrou a sobrevida em comparação com a terapia intravenosa padrão no estudo RASolute 302.
- A sobrevida mediana foi de 13,2 meses no grupo que recebeu o comprimido, frente a 6,7 meses no grupo de quimioterapia.
- A redução do tumor ocorreu em cerca de um terço dos pacientes; 80% apresentaram estabilidade ou resposta da doença.
- A droga é oral, com efeitos colaterais geralmente seguros quando acompanhados por médicos, e já recebeu status de Breakthrough Therapy pela FDA, além de designação de medicamento órfão e voucher de prioridade regulatória.
- O estudo ocorreu em pacientes metastáticos em segunda linha; a aprovação no Brasil depende de avaliação da Anvisa e da cobertura pelos planos de saúde, com custos ainda não definidos.
O anúncio repercutiu globalmente na comunidade médica: um comprimido diário, direcionado a uma mutação específica do gene RAS, dobrou a sobrevida em pacientes com câncer de pâncreas metastático que já tinham feito quimioterapia sem opções de tratamento. A empresa Revolution Medicines tornou público o feito em 13 de abril de 2026, nos EUA.
O estudo clínico de fase 3, chamado RASolute 302, comparou daraxonrasib com quimioterapia intravenosa padrão em cerca de 500 pacientes. Os participantes estavam em segunda linha de tratamento, com doença já disseminada. O objetivo era verificar eficácia e segurança do remédio oral.
O chamativo resultado mostrou que a mediana de sobrevida no grupo que recebeu daraxonrasib foi de 13,2 meses, contra 6,7 meses no grupo de quimioterapia. A diferença indica redução do risco de morte em 60% para o novo medicamento. Todos os endpoints foram atingidos.
Contexto sobre o câncer de pâncreas
Em mais de 90% dos casos, o câncer de pâncreas envolve mutação no gene RAS, mantendo a proteína em ativação constante. A doença normalmente é diagnosticada tardiamente, com cerca de 80% dos casos já em estágio avançado ou metastático no momento da detecção.
A taxa de sobrevida em cinco anos para a forma metastática é baixa, e a maioria dos pacientes tem opções limitadas após falha da quimioterapia. Nos EUA, estima-se cerca de 60 mil novos diagnósticos por ano e aproximadamente 50 mil mortes decorrentes da doença.
Detalhes do estudo e impactos clínicos
Para participantes do estudo, reduziram-se eventos de progressão da doença, com cerca de um terço apresentando redução do tumor e 80% demonstrando algum benefício de resposta ou estabilidade. A droga é administrada em formato oral, facilitando o tratamento domiciliar.
O perfil de segurança mostrou efeitos colaterais manejáveis, como reações de pele, náuseas e fadiga, com acompanhamento médico próximo sugerindo boa tolerabilidade. A possibilidade de uso em casa reduz a necessidade de visitas hospitalares para quimioterapia.
Aprovação regulatória e cenários no Brasil
Nos EUA, a FDA concedeu status de Breakthrough Therapy, acelerando a avaliação. A designação de medicamento órfão também foi aplicada, além de participação no National Priority Voucher. O acesso compassional já foi autorizado para pacientes sem alternativas.
No Brasil, o caminho envolve aprovação da Anvisa e diretriz da ANS para cobertura por planos de saúde. O custo estimado de novas drogas oncológicas pode pesar no orçamento público, o que eleva a necessidade de avaliações de custo-efetividade.
Considerações finais
Especialistas destacam que, embora o resultado seja promissor, não se trata de cura para o câncer de pâncreas. O estudo envolveu pacientes metastáticos em segunda linha, sem dados sobre uso em primeira linha. Pesquisas futuras devem explorar combinações terapêuticas e aplicações em outros tumores com mutação no RAS.
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