- Justiça Federal autoriza importação, para uso pessoal, de canetas paraguaias com tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro), desde que haja prescrição médica, quantidade compatível e sem finalidade comercial.
- Decisões em Alagoas, Rio Grande do Sul e Pernambuco entendem que restrições da Anvisa extrapolam a lei quando atingem pacientes que não buscam lucro, apenas continuidade do tratamento.
- O argumento central é que o Paraguai não integra o Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes, o que permitiria fabricação local da substância sem as mesmas barreiras do Brasil.
- Casos citados incluem Henrique Matos, que mostrou redução de peso e melhoria na saúde após importação, apesar do alto custo no Brasil; decisões destacam risco de interrupção do tratamento sem acesso contínuo.
- A Anvisa sustenta que proibições visam proteger a população de produtos sem registro sanitário, enquanto a Lilly afirma que canetas paraguaias não são o medicamento registrado no Brasil e podem representar risco à saúde.
O que aconteceu: a Justiça federal de diferentes estados autorizou a importação de canetas paraguaias com tirzepatida para uso pessoal, diante de restrições da Anvisa. A decisão ocorreu mesmo com o veto oficial à substância no Brasil.
Quem está envolvido: pacientes em tratamento contra obesidade, familiares e advogados que acionaram a Justiça. Um caso emblemático é o do engenheiro Henrique Matos, de Fortaleza, que conquistou liminar para trazer o medicamento do Paraguai.
Quando e onde: decisões foram proferidas entre abril e maio de 2026, em Alagoas, Rio Grande do Sul, Pernambuco e no Rio Grande do Sul. As ações envolvem, além de Matos, pacientes oncológicos e pessoas com obesidade crônica.
Por que: a justificativa é evitar a interrupção do tratamento por questões de custo ou disponibilidade, já que o medicamento é proibido pela Anvisa no Brasil. A liminar exige prescrição médica, quantidade compatível e ausência de finalidade comercial.
Jurisprudência recente e impactos
Caso em Alagoas autorizou uma paciente oncológica a importar três meses de tirzepatida paraguia. A decisão destacou o risco de piora clínica com a interrupção do tratamento.
Em Erechim (RS), liminar manteve uma paciente com obesidade em tratamento por até seis meses com o medicamento adquirido no Paraguai, citando necessidade terapêutica e dificuldade financeira.
Em Pernambuco, a 12ª Vara Federal liberou 12 canetas retidas no aeroporto do Recife, após compra no Reino Unido pela mãe de uma usuária. A Justiça justificou pela continuidade do tratamento.
Ponto regulatório e posição institucional
A Anvisa sustenta que a proibição protege a população de produtos sem registro e sem garantia de qualidade. A agência afirma que importações irregulares prejudicam o controle sanitário e aumentam riscos.
Algumas sentenças mencionam que o Brasil não integra o Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes (PCT), o que, segundo os juízes, facilita a fabricação local sem as mesmas restrições de patentes vigentes no Brasil.
Observações e contexto
A Justiça tem entendido que a restrição extrapola limites legais quando atinge pacientes sem finalidade comercial. Em alguns casos, há referência a notas técnicas internas da Anvisa, já revogadas, que discutiam revisar normas restritivas.
A Lilly, fabricante do Mounjaro, ressaltou que produtos não avaliados pela Anvisa não são equivalentes ao medicamento aprovado, alertando para riscos à saúde pública.
O custo e os impactos no tratamento
Para muitos pacientes, o valor da terapia no Brasil torna inviável o tratamento contínuo. A importação legal aparece como alternativa para manter o tratamento, com custos significativamente menores em alguns casos.
Entre na conversa da comunidade